Para tentar esquecer a tragédia, nem que seja por alguns segundos

Gente,

estou postando esse texto abaixo como uma forma de desanuviar o ambiente. O clima na China está pesado. Novos tremores e pânico. Fugi para Seoul em busca de paz. Meus amigos chineses estão arrasados. Não é para menos. Como já disse, falar de um chinês é falar de todos. Isso na dor, no orgulho, na alegria. Tomara que as coisas se ajeitem em breve para que o povo possa reconstruir suas vidas.

O que você lê abaixo foi escrito há muito tempo, mas não foi postado.

Sabe aquela história da cegonha ou do Papai Noel? Tu acreditas numa coisa a vida toda, até que algum filho da mãe te sacaneia e te mostra que tu eras, na verdade, um tabacudo (eeeeeeh arrasei no pernambucanês). Pois, pronto (eeeeeeeee, essa vem de Recife). Eu achando que brasileiro era o mala dos malas, eis que me deparo com os carinhas de sono (como diz meu amigo Cássio).
 
Nesse último dos posts made in Wuhan, vou fazer um resumo das coisas mais malandras que vi, ouvi e li:
 
-) Rapaz, a galera descolou uma forma massa de ganhar dinheiro aqui. O povo coloca um anúncio no jornal com ofertas de emprego num hotel. Antes, fazem uma reserva no tal hotel e anunciam o referido quarto como o local da entrevista. Os trouxas vêem e encontram o suposto coordenador de RH, que mostra o hotel e tudo. No final, a galera diz que o cara foi aprovado, mas pede para que ele pague uma taxa para uniforme e emissão de alguns documentos. Pronto! Até que o hotel descubra e que os “empregados”
saibam que foram enganados, a galera já virou fumaça e sumiu.
 
-) Outra: o carinha ligou para o hotel, reservou um quarto e pediu um carro para ir buscá-lo no aeroporto. No meio do caminho, pediu ao motorista que parasse em um shopping para buscar a esposa e a filha. Antes de deixar a limusine, pediu o celular do motorista. Passaram-se alguns minutos, o “hóspede” ligou para o motorista pedindo dinheiro emprestado, pois havia perdido o cartão. O motorista não tinha grana. Ainda bem. Porque o cara evaporou. Era só um jeito criativo de pegar mais um trouxa.
 
-) Essa aqui é uma maletice light. O hóspede reclama (epa, esse hóspede aqui é ocidental, ok?), reclama, reclama. Muitas vezes coberto de razão. O que a galera faz? Bate uma foto do coitado e publica na revista mensal com a legenda: “Nosso hóspede e grande amigo”. Uma forma de deixar o cara envergonhado por reclamar. Pô, eu posso até ser inocente. Pode ser até uma técnica de marketing que não conheço. Mas, acho sacanagem pura. Brasileiros não precisa aprender isso, não. Só não sejam uma anta nos negócios. Porque os carinhas de sono têm os olhos beeeeem abertos. E definitivamente estão mais adiantados que nós.
 
 

Add comment Maio 17, 2008 anaadd

O meu primeiro terremoto

Rapaz, não to dizendo que na China o olho grande é grande mesmo… seja de gringo ou de chinês. Falando com a autoridade de quem já foi vítima da ira de uma cabeçuda de olho puxado, esse terremoto foi olho grande de francês, americano, italiano, japonês (claro!) e todo mundo que está desesperado com o visto aqui. Além dos tibetanos. Se bem que budista é tudo zen, né?
 
Minha gente, vê que ironia, justamente quando um monte de gente está babando de raiva da China, vem esse terremoto. Em Mianmar, a leitura que as pessoas fazem da última catástrofe na semana passada é exatamente essa. Plebiscito “democrático”, armação por baixo do pano, Deus mandou a terra ser varrida por água e vento.
 
Bem, esse foi meu primeiro terremoto. Gente, dá uma sensação de que você vai desmaiar. Como eu estava sem tomar café-da-manhã e não havia almoçado (já passava das 14h), pensei: “´É agora que eu empacoto”. Estava ao telefone com meu pai, quando vi o pânico das pessoas correndo escada abaixo. Não caiu minha ficha. Peguei o elevador, de bolsa a tira colo, sem maiores emoções.
 
De repente, um formigueiro humano na rua. Os pobres dos trabalhadores da obra ao lado, bichinhos, se els já não trabalham com muita segurança normalmente, no limiar para que o sindicato Marreta bata aqui, imagine num terremoto!!!
 
Eu estou bem. As coisas em Beijing e Shanghai não foram graves como a imprensa está pintando. Esse bando de liso estão querendo economizar dinheiro para ir a Sichuan,´lá o bicho pegou mesmo, e estão tocando o terror que aqui não existiu.

1 comment Maio 14, 2008 anaadd

Chinês sabe dizer gostosa, corno e fdp!

Agora que minha vida em Wuhan passou, tá dando aqueles surtos de gargalhada que te pegam no meio da tarde, quando você está presa no trânsito, bem, no meu caso, quando estou no metrô.
 
É que eu me pego lembrando das minhas presepadas. Às vezes, cai a ficha de que definitivamente brasileiro e chinês são povos diferentes. Mas, se você transpor a casca cultural, existe gente, personalidade.
 
Algumas das presepadas? É preciso dizer que saí de Wuhan com chinês falando palavrão e sacanagem. Como todo brasileiro que se preze, eu tinha de ensinar essas coisas para gringo. E começou com uma chinesa gordinha. Echo, uma fofa, que tava cheinha. Ela emagreceu à base de muita fome. Quando ela, finalmente, conseguiu atacar o terninho de novo, eu quis levantar a moral da menina. Coisa de ex-atual-gordinha que sabe o que é sofrer para fechar a boca. Aí, fui dizer: “Echo tá gostosa”. A galera amou. E daí em diante, era um tal de fulaninha tá gostosa para lá e fulaninho também. Porque fazer chinês entender que existe feminino e masculino, isso não consegui.
 
Depois veio outra presepada. Tinha um gerente, Nelson, que vivia me pedindo para que eu o ensinasse português. Eu falei: “Filho da Puta” é como se diz “Olá como vai?”. O homem amou. Eu achei que seria algo como uma piada solitária. Nunca que um brasileiro vai se chegar por aqui e ele vai se lembrar disso. Quem disse? Não foi brasileiro, mas foi chileno. O hóspede chegou e eu comecei a falar espanhol. Nelson se empolgou e soltou o baixo palavriado. O chileno, hermano nosso, só olhou para mim e disse: “Foi você que ensinou, né?”
 
Daí, veio a minha vontade incrível de me vingar dos chinas grosseirões. Quando um veio e tratou mal, mais uma vez, as garotas da recepção, não me contive: “Esse aí é corno”. Confesso que eles não entenderam muito não como isso é grave. Como ser corno é algo traumatizante para um brasileiro. Deixa para lá.
 
A última presepada de que me lembrei agora foi com minha mãe aqui. Fila para pegar o vôo de Shanghai para Guangzhou. Dá uma pane no Raio-X da sala de embarque. Uma fila do tamanho digno de ser na China, arcondicionado quebrado, stress. Aí, a gente solta um confortável”É fo…”. Crente que ninguém ia entender. Eis que tinha um português bem atrás de mim.
 
Depois, não tardou para que os malas chineses começassem a querer furar fila. Eu e mainha, a gente se garantia em bloquear a passagem. Mas, aí os caras queriam passar uns velhinhos para trás. Eu e mainha não nos seguramos. Mainha gritava em português e eu em chinês. Volta, cambada, volta. Os velhinhos amaram a baixaria e começaram a gritar também. Daqui a pouco, o aeroporto tava na maior feira. Meu pai, lorde inglês, só ficava vermelho de vergonha. Mas não é que adiantou. Os caras-de-pau bateram em revoada e os velhinhos chineses viraram os nossos melhores amigos. Aaaaah, esse sangue brasileiro… não é falta de educação, gente, é solidariedade, oras!
 
É isso aí, gente. Tava com saudade de escrever. Quero ver se minha irmã ritmo de cágado atualiza o meu blog de vez.

Add comment Maio 5, 2008 anaadd

novo pôr-do-sol e outras coisitas mais

Minha nossa! Faz mais de um mês desde que coloquei meu último post aqui. O tempo voou. Peço desculpas a todos que me pediam notícias. Minha vida engatou no ritmo do crescimento chinês. Mudanças, mudanças. Despedidas. Lágrimas. Risos. Cidade nova.Apê, flatmate, aprender a cozinhar. Ok, vamos por partes. São muitas novidades.
 
Primeiro, preciso dizer que saí de Wuhan, o dragão de 7 cabeças da China. Moro agora em Shanghai, a Nova Iorque da Ásia sem o exagero dos petistas chineses (Tradução: grupo de apaixonados pela Terra de Mao incapazes de enxergar qualquer defeito ou fazer crítica a este povo e a esta terra). Shanghai é linda. Uma pastiche linda. Aqui, com toda razão, os turistas coreanos e japoneses envergam a camisa com o indefectível I LOVE Shanghai. E por que não? A cidade respira para o mundo. Restaurantes de todos os cantos (na minha primeira balada parei em um bar que tocava música brasileira e francesa e nem era churrascaria), marcas famosas, preços caros, supermercados cheios de comidinhas internacionais e um chinês que é orgulhosíssimo de respirar o mesmo ar que gente de todas as partes de igual para igual.
 
Caros, falar chinês é coisa rara. A tirar pela minha faxineira (Sim, descobri meu lado mulher, cozinho, limpo e lavo, e BEM! Duvidem se quiserem) e pelo taxista, é preciso se esforçar para praticar. O bom é que, como agora sou dona-de-casa, eu faço feira. E aí, como bagaceira só presta muita, aprendi a brincar de casinha de gente grande lendo rótulos em chinês, discutindo em chinÊs com a faxineira que o pano que lava a pia não pode lavar a privada, pedindo garrafão de água mineral a alguém que só fala “Ting Bu Dong” - Não entendo porra nenhuma. E isso tá fazendo dessa minha fase de vida mais que única e desafiadora. Para alguém que nunca fritou um filé, cozinhar é algo grande. Mas, to indo bem. Montei minha casa em dois dias. Não queimei o salmão e o bife até agora.
 
Meu trabalho novo é legal. Uma empresa multinacional australiana de headhunting que tem a conta da Vale. Que ironia. Vim bater na China para aprender chinês e arranjei emprego por causa do meu português. Novos tempos… se Lulinha e cambada não cochilar, acho que o Brasil vai… Ah! O pôr-do-sol da janela do escritório é lindo. É uma coisa meio Changeman e Jaspion. Lembra quando nos filmes eles passavam uma tomada de Tóquio com seus viadutos? Ah? Tóquio? Pegadinha. Po, tem gente que até hoje acha que China e Japão é a mesma coisa. E ainda reclamam de quem acha que Buenos Aires é a capital do BRasil. Sinceramente…
 
E Wuhan passou. Passou? Não sei. A cidade deixou muito em mim. Achei um pedaço da China antiga. Vi a pressa da mudança chinesa. Como tanta coisa mudou nos 6 meses que ali passei! Mais estrangeiro, mais máquinas, mais obra, menos sobrado, menos tradição. E ficaram as lágrimas de dizer adeus. E as considerações:
 
Bem, preciso refazer algumas coisas que consegui enxergar melhor com o tempo. Vamos ao mea-culpa deste blog:
 
- Chinês se der bobeira rouba, sim. E não tem paredão que segure. Se você é gringo, segure o zíper da sua bolsa. Eu bem que desconfiava quando via a galera catando lixo nos dias em que deixava a boate no nascer do sol. A desigualdade social é difícil de segurar. O que muda? Na China, não tem arma. Portanto, o máximo com que você se depara é com batedor de carteira. A Polícia bate de com força, como se diz em bom pernambuquês. E se a galera dá golpe, tenta extorquir dinheiro de gringo, não é falha de caráter. É porque arma aqui não entra. E o povo precisa de dinheiro para consumir. Ah. esse capitalismo que bate à porta.
 
- Chinês usa a típica frase “Você já comeu hoje?” para lhe cumprimentar bem antes da Grande Fome de Mao, segundo meu amigo e pesquisador Victor. Sorry.
 
- Tem coisas que definitivamente escapam da mão de ferro do governo. Infra-estrutura você constrói, mas educação demora a dar resultados. A China ainda precisa de muito estrangeiro dando as ordens. Esse povo oprimido sempre teve alguém mandando e lhes tolhendo a iniciativa e a criatividade. Portanto, não dá para cobrar pró-atividade. Vai demorar um pouquinho….
 
Bem, para encerrar, meus amigos brasileiros que toparam a mesma parada que eu me contaram essa máxima:
 
Na China, você encara o processo dos 4Ds: Primeiro, deslumbramento.Segundo, desilusão. Terceiro, desespero. Quarto, departure.
 
Bem, passei por todos os processos. Só que o 4o D vai demorar mais um pouquinho a chegar. E o terceiro, bem, eu soube reverter e digo a China é bonita, é bonita.
 
E para quem acha que vir para as bandas de cá é algo corajoso, eu só digo para não ter medo do diferente. Que o mundo é pequenininho. Well, só um exemplo. Minha flatmate, a menina com quem divido o apê, Shelley, uma chinesa que se criou Nova York, arquiteta, 28 anos, trabalhou no mesmo escritório que Zaha Hadid. Quem? O que? Zaha é a maior arquiteta do mundo. Uma iraquiana que fugiu de Bagdad e se formou em Londres. Em 2006, vi a exposição dela no Guggeheim em NY. Fiquei deslumbrada. Comentando com ela sobre meu fascínio por Zaha, eis que ela me responde: “Menina, ela é uma bicth. Quando pega o elevador lá do prédio todo mundo tem que sair. Ela não aceita dividir o espaço com ninguém”. Viram?
 
Um beijo a todos!
 

2 comments Maio 5, 2008 anaadd

Imaginem se os olhinhos puxados fizessem sexo…‏

Rapaz, to num acesso de leseira aqui, sao quase 22h, to de saco cheio de trabalhar e resolvi escrever um dos posts escritos mais ”no bate e pronto” do meu blog. Mas, tah valendo.
Eis que me deparo com a noticia do governador de Nova Iorque renunciando apos o escandalo com a tal prostituta bonitona. Achei a foto da menina e sai para comentar com a rapaziada aqui. Enquanto eu vibrava com o babado, meus colegas nao levantaram uma sobrancelha sequer, nao esbocaram nenhuma reacao. Fiquei frustradissima. Mas, ai caiu a ficha de que cada pais encara, de fato, as coisas diferentes. Se na America Clinton tem que falar publicamente que ” Nao fez sexo com aquela mulher”, no Brasil, a galera estaria falando: “Po, mas a mulher era gata”. To tirando as conclusoes depois do caso Renan, diante da pasmaceira de um Congresso que discutia apenas que isso era coisa da vida privada do senador e esquecia o quao grave e pagar pensao a amante via lobista.
Bem, os chinas nem sacaram qual era a historia. Acho que estao tao anestesiados com um governo que pinta e borda com eles, autoritario, que nem passa pela cabeca deles que um peso pesado do Partido Comunista seria demoralizado por sair com uma prostituta. E ai, como ja disse, os chineses se anestesiam para certas coisas, nao admitem nem a pau. Quer um exemplo? Ja contei aqui que a prostituicao estoura por todos os lado. Pergunta a um chines se existe isso na terra dele. A nao ser que voce tenha muita intimidade ou que nao haja maneira de ele negar, ele vai dizer que todas as casas de massagem soa lugares para levar a esposa e os filhos.
Experimenta outro exemplo: falar sobre homossexualidade. O cara pode ser o mais caricato gay, os chinas vao se recusar a admitir que existe olhinho puxado que gosta de gente do mesmo sexo. Como disse minha gerente: ” A gente ate sabe que o cara eh gay, mas evita tocar no assunto”
Pois eis aqui o babado que agitou o fim de ano chines. O bonitao da terra de Mao, um ator hong konger meiota, aparece em cenas de sexo com varias atrizes “Malhacao”, em fotos espalhadas na Internet. Em menos de uma semana, virou uma febre ter essas fotos no celular. Desdobramentos do caso.
- O cara que teria espalhado as fotos na web eh preso. Segundo a policia, ele teria sido contratado para consertar o computador do bonitao que, descuidado, deixou as imagens no pc.
- O bonitao vai a publico, chama a imprensa, chora e pede perdao por ter …. feito sexo com as atrizes!
- As atrizes aparecem na TV dizendo-se arrependidas por terem feito “aquilo” com o bonitao, que eram muito jovens, tal…
- Uma delas cruza com o bonitao em um hotel da China, faz check-out e sai chorando, morta de vergonha.
Eu comento com os meus colegas: Po, ok, as meninas foram inocentes em se deixar fotografar, mas nao tem que pedir desculpas, nao. O que elas fazem entre quatro paredes nao eh da conta de ninguem. O culpado da historia ta preso.
Eis que a secretaria responde: - Ana, mas quem mandou fazer sexo?
Ok, pergunta a Spiltzer e a Renan. Talvez eles respondam. E olhe que aqui tem mais de um bilhao de olhinhos puxados. Imaginem se fizessem sexo, hein?
Essa foi para relaxar.
Beijos

Add comment Março 16, 2008 anaadd

Nós somos apenas seres rebolantes? Ai que inveja dos carinhas de sono‏

Após um recesso de inspiração permeado de preguiça e de vontade de fazer farra (A neve derreteu, o sol saiu, ebaaaaaaaa), resolvi escrever novamente.
Vou começar com perguntinhas básicas: o que você responde quando um estrangeiro pede para explicar o que é carnaval? O que você responde se te perguntam se o Brasil é violento? Tempo… (pode pensar nas meninas do antigo “Fantasia no ar” contando o tic-tac do relógio, só para fazer rir…)
Pois é, pensou? Ok. Quanto à primeira pergunta: quase mato um brasileiro que definiu o carnaval como uma festa de mulher nua e cerveja. Só. Mas, avalie se você não caiu na tentação de definir a folia de Momo assim. Quanto à segunda pergunta, não sei vocês, mas eu não consigo mentir. Erro, acerto, não sei. Mas, confesso que desde que cheguei tenho pensado em quanto nós somos culpados por deixarmos os gringos cuspirem no Brasil. A nossa terra ser uma casa de Mãe Joana.
Bem, um dia, quase mato um palestino que disse que eu era “orgulhosinha demais para ser uma brasileira”, inconformado porque eu não lhe dei atenção a noite inteira. Então, meu caro, se você acha que toda brasileira tem que ser fácil e desfiei um bláblábláblá. E, do nada, veio na minha cabeça falar: “Rapaz, tu achas que brasileiro é covarde é? Que vocês são melhores porque fazem medo ao Tio Sam com as suas bombas terroristas, pois saiba que quando foi preciso brasileiro pegou arma e seqüestrou embaixador americano. Pelo menos, tenho um país para chamar de meu”. Ok, não fui legal. Não tinha porque falar esse trecho. Mas, mereceu, convenhamos, o cara mereceu ouvir. (Ele que não brinque, meu sangue latino quando ferve fica mais perigoso do que qualquer bomba. É capaz do Hamas querer me cooptar)
Onde quero chegar é: China e Brasil tão no mesmo balaio. Fazem parte do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e South Africa). A sigla que representa os países em desenvolvimento, para onde uma tuia de gringo tá correndo atrás de emprego. Vocês já pararam para fazer uma busca nos jornais sobre o tema “China”? Os assuntos são sempre superlativos: “A China é um canteiro de obras”; “Quinze por cento de crescimento”, “Chineses aprendem inglês para as Olimpíadas”. Fiz o mesmo nos jornais chineses sobre o Brasil. “Modelo faz 15 plásticas para sambar no carnaval”, “Mulheres e beleza na Sapucaí” e uma notinha sobre o petróleo achado em nosso território.
Onde está o erro? Quero saber. A gente tá errado em ser um país transparente? Não. Mas, também quem se abaixa demais mostra os fundos. Quem acompanha meu blog já notou que a China não é esse paraíso de desenvolvimento, que tem menino fazendo cocô na rua (seja tradição ou não, digamos que não é um costume globalizado), gente catando lixo para se alimentar, problemas sociais. Malandragem, sim. Essa semana, um hóspede alemão foi assaltado. Chegou na recepção e falou: “Vou ao Brasil, recebo uma carta da empresa : cuidado, você está no Brasil. Aqui, me dizem que é um paraíso e é a primeira vez que sou roubado”. Detalhe: o mala chinês conseguiu abrir o bolso interno do casaco do cara, que estava com zíper fechado. Minha amiga brasileira foi roubada cinco vezes aqui, nenhuma no Brasil. Pô, mas onde está o erro, repito.
Não estou aqui querendo que a imprensa brasileira manipule informações como acontece aqui na China. O que deixa esse bando de carinha de sono alienado da própria realidade do país.Mas, tá na hora do nosso país se posicionar para o mundo. Oras! Posicionar-se institucionalmente. De que adianta pleitear cadeira na Onu, mandar Exército para o Haiti, se o que vai para o  mundo é biquíni e futebol apenas?
E, aí,amigo, serei libertária como os americanos. Não vamos esperar por Lulinha Paz e Amor. Começa na gente. Quantos de vocÊs se lembram do nosso terrorismo na ditadura? Algo para se envergonhar? Não creio. Mostra que quando é preciso a gente reage. Quem se lembra que o nosso Exército tá pacificando o Haiti? Que carnaval tem mulher nua, mas muita história para explicar até onde isso chegou, história de descendentes de escravos que vão às ruas relembrar as suas tradições, dos índios e que traduz nessa festa do povo o espírito das uniões das raças do país?
Macharada, em vez de se vangloriarem para gringo que no Brasil mulher é fácil, é melhor pensar que a gente usa biquíni e pouca roupa por causa do calor. Se a gente respeita quem usa burca, a galera tem que encarar a nossa pouca roupa como algo que tem explicação e precisa ser respeitado tanto quanto. Mulherada, ta na hora de parar de gostar de ser tratada como ser rebolante por gringo . 
Enquanto isso… na China de Mao… a mulher chinesa é a mais pura do mundo (é de fazer rir, a mulherada toca o terror aqui), os serviços bancários “são os mais seguros do mundo” (pense duas vezes antes de fornecer seu número de cartão de crédito), inglês é língua do passado porque o chinês é a nova moda (Quem se arrisca a estudar mandarim: boa sorte!) e experimente falar mal da terra para um olhinho puxado. É um dos maiores erros. Chinês não aceita ter sua face desfeita. Aí, é história para as cenas dos próximos capítulos.

1 comment Março 11, 2008 anaadd

*Sociedade
** Imigrantes serão a nova elite na Europa, prevê filósofo
*

De subclasse marginalizada, os imigrantes árabes, africanos, asiáticos
e
latino-americanos vão se transformar na nova elite de diversos países
europeus graças à internet. A previsão foi feita pelo filósofo e
escritor
sueco Alexander Bard, especialista em implicações sociológicas da
revolução
interativa da mídia, no painel Sustentabilidade e Cidade-Rede, no
último dia
da Conferência Mundial sobre o Desenvolvimento de Cidades, hoje, em
Porto
Alegre.

“Os imigrantes estão conectados, falam cinco ou seis idiomas e seus
filhos
crescerão com esse poder”, observou Bard. “A subclasse será o sueco de
meia-idade, obeso, sem parceiro sexual e desempregado, que fica vendo
televisão e comendo batatas o dia todo”, comparou. “Esses são os
grandes
perdedores, seus empregos foram para a China”, completou outro sueco,
o
escritor Jan Söderqvist. Para Bard, a sociedade do futuro será aquela
que
priorizar a educação e a conectividade, como já fazem Israel,
Finlândia e
Coréia do Sul.

O economista espanhol David de Ugarte, sócio-fundador da Sociedade das
Índias Eletrônica, autor de diversos livros sobre a sociedade em rede,
afirmou que quanto mais distribuído o poder mais fortalecida estará a
sociedade, que, para isso, deve usar as facilidades oferecidas pela
internet
e pela telefonia móvel. “Uma empresa que toma decisões centralizadas
pode
ser levada a uma crise por um erro, uma comunidade que depende de um
líder
não é sustentável”, destacou. “O poder central é a fonte da
debilidade”.

*Fonte: Agência Estado*

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document.getElementById(”MsgContainer”).innerHTML=’\x3cpre\x3eAh\x26\x2333\x3b E posta no meu blog\x26\x2333\x3b\x26\x2342\x3b\x3cbr\x3e \x3cbr\x3e \x3cbr\x3e \x3cbr\x3e\x26\x23160\x3b \x26\x23160\x3b \x26\x2342\x3bSociedade\x3cbr\x3e\x26\x2342\x3b\x26\x2342\x3b Imigrantes ser\x26\x23227\x3bo a nova elite na Europa, prev\x26\x23234\x3b fil\x26\x23243\x3bsofo\x3cbr\x3e\x26\x2342\x3b\x3cbr\x3e \x3cbr\x3eDe subclasse marginalizada, os imigrantes \x26\x23225\x3brabes, africanos, asi\x26\x23225\x3bticos\x3cbr\x3ee\x3cbr\x3elatino-americanos v\x26\x23227\x3bo se transformar na nova elite de diversos pa\x26\x23237\x3bses\x3cbr\x3eeuropeus gra\x26\x23231\x3bas \x26\x23224\x3b internet. A previs\x26\x23227\x3bo foi feita pelo fil\x26\x23243\x3bsofo e\x3cbr\x3eescritor\x3cbr\x3esueco Alexander Bard, especialista em implica\x26\x23231\x3b\x26\x23245\x3bes sociol\x26\x23243\x3bgicas da\x3cbr\x3erevolu\x26\x23231\x3b\x26\x23227\x3bo\x3cbr\x3einterativa da m\x26\x23237\x3bdia, no painel Sustentabilidade e Cidade-Rede, no\x3cbr\x3e\x26\x23250\x3bltimo dia\x3cbr\x3eda Confer\x26\x23234\x3bncia Mundial sobre o Desenvolvimento de Cidades, hoje, em\x3cbr\x3ePorto\x3cbr\x3eAlegre.\x3cbr\x3e \x3cbr\x3e\x26\x2334\x3bOs imigrantes est\x26\x23227\x3bo conectados, falam cinco ou seis idiomas e seus\x3cbr\x3efilhos\x3cbr\x3ecrescer\x26\x23227\x3bo com esse poder\x26\x2334\x3b, observou Bard. \x26\x2334\x3bA subclasse ser\x26\x23225\x3b o sueco de\x3cbr\x3emeia-idade, obeso, sem parceiro sexual e desempregado, que fica vendo\x3cbr\x3etelevis\x26\x23227\x3bo e comendo batatas o dia todo\x26\x2334\x3b, comparou. \x26\x2334\x3bEsses s\x26\x23227\x3bo os\x3cbr\x3egrandes\x3cbr\x3eperdedores, seus empregos foram para a China\x26\x2334\x3b, completou outro sueco,\x3cbr\x3eo\x3cbr\x3eescritor Jan S\x26\x23246\x3bderqvist. Para Bard, a sociedade do futuro ser\x26\x23225\x3b aquela\x3cbr\x3eque\x3cbr\x3epriorizar a educa\x26\x23231\x3b\x26\x23227\x3bo e a conectividade, como j\x26\x23225\x3b fazem Israel,\x3cbr\x3eFinl\x26\x23226\x3bndia e\x3cbr\x3eCor\x26\x23233\x3bia do Sul.\x3cbr\x3e \x3cbr\x3eO economista espanhol David de Ugarte, s\x26\x23243\x3bcio-fundador da Sociedade das\x3cbr\x3e\x26\x23205\x3bndias Eletr\x26\x23244\x3bnica, autor de diversos livros sobre a sociedade em rede,\x3cbr\x3eafirmou que quanto mais distribu\x26\x23237\x3bdo o poder mais fortalecida estar\x26\x23225\x3b a\x3cbr\x3esociedade, que, para isso, deve usar as facilidades oferecidas pela\x3cbr\x3einternet\x3cbr\x3ee pela telefonia m\x26\x23243\x3bvel. \x26\x2334\x3bUma empresa que toma decis\x26\x23245\x3bes centralizadas\x3cbr\x3epode\x3cbr\x3eser levada a uma crise por um erro, uma comunidade que depende de um\x3cbr\x3el\x26\x23237\x3bder\x3cbr\x3en\x26\x23227\x3bo \x26\x23233\x3b sustent\x26\x23225\x3bvel\x26\x2334\x3b, destacou. \x26\x2334\x3bO poder central \x26\x23233\x3b a fonte da\x3cbr\x3edebilidade\x26\x2334\x3b.\x3cbr\x3e \x3cbr\x3e\x26\x2342\x3bFonte\x26\x2358\x3b Ag\x26\x23234\x3bncia Estado\x26\x2342\x3b\x3cbr\x3e \x3cbr\x3e\x26\x23160\x3b\x26\x2342\x3bEndere\x26\x23231\x3bo\x26\x2358\x3b\x26\x2342\x3b\x3ca href\x3d\x27http\x26\x2358\x3b\x26\x2347\x3b\x26\x2347\x3bjc.uol.com.br\x26\x2347\x3b2008\x26\x2347\x3b02\x26\x2347\x3b16\x26\x2347\x3bnot_161004.php\x27 target\x3d\x27_blank\x27\x3ehttp\x26\x2358\x3b\x26\x2347\x3b\x26\x2347\x3bjc.uol.com.br\x26\x2347\x3b2008\x26\x2347\x3b02\x26\x2347\x3b16\x26\x2347\x3bnot_161004.php\x3c\x2fa\x3e\x3cbr\x3e\x26\x23160\x3bCopyright \x26\x2340\x3bc\x26\x2341\x3b1997-2008, Jornal do Commercio-Recife-PE Brasil Sistema\x3cbr\x3eJornal\x3cbr\x3edo Commercio de Comunica\x26\x23231\x3b\x26\x23227\x3bo. \x26\x23201\x3b proibida a reprodu\x26\x23231\x3b\x26\x23227\x3bo total ou parcial\x3cbr\x3edo\x3cbr\x3econte\x26\x23250\x3bdo deste site para fins comerciais.\x3cbr\x3e\x3c\x2fpre\x3e’;

1 comment Fevereiro 18, 2008 anaadd

Com Hu Jintao ou sem Hu Jintao, chines e grande de todo jeito‏

Minha gente,

eu nao podia deixar de compartilhar com voces a experiencia de passar um Ano Novo Chines na Terra de Mao. Senta que la vem a historia. Primeiro, eu preciso dizer que estava num banzo so. Triste, assistindo ao carnaval do Recife pela Internet, achando tudo sem graca, sem cor. Ilhada em meio a neve (Para quem nao sabe, esse foi o pior inverno dos ultimos 40 anos, ha quem diga dos ultimos cem. Aeroportos fechados, estacoes de trem sem funcionar e um clima de desespero tomando conta dos chineses que moram distantes de suas familias). 
Acontecia que o Ano Novo Chines ou The Spring Festival estava chegando. Cinco dias de folga. Comprei minha passagem para Beijing. Se ficasse mais um dia em Wuhan, fazia as malas e voltava para o Brasil. Estava tratando como mais um feriado longo que teria na vida. Nao sabia que seria mais um momento de paixao fulminante pela China.
A primeira coisa que muda e o clima da cidade. Placas com os caracteres chineses sao espalhadas por todos os lugares. Todo mundo so fala em jogar madja (especie de domino chines, em que os apostadores varam a noite jogando). O Ano Novo Chines e quando as filhas que casaram tem a unica chance de voltar para casa no ano e visitar os pais. Os universitarios tem folga nas aulas e viajam para casa. Por isso que foi tao duro ver as estacoes de trem abarrotadas de neve e o governo tratou de emitir mensagens de animo para quem nao conseguiu embarcar para a cidade natal.
Mesmo assim, ainda continuava so pensando na minha folga. 
Ate que a minha gerente me chamou para uma aula sobre o ano novo chines. E, como tudo aqui na China, cada silaba de palavra diz tanta coisa como os detalhes dos pagodes chineses.  
Primeiro, e preciso decorar as frases de cumprimento. Xin nian hao ou Xin nian kuai le (Feliz Ano Novo), Gong xi fa cai ( essa daqui so se diz aos empresarios, desejando fortuna no ano novo e e preciso juntar as maos cerradas, como se abracando uma a outra e baixar a cabeca), Hong Hong Hong (na traducao literal: vermelho, vermelho, vermelho, mas, na verdade, quer dizer uma Super Boa Sorte, ja que o encarnado e a cor escolhida para desejar o que ha de bom para o proximo).
Segundo, e preciso usar nem que seja um lenco no pescoco na cor vermelha. Ir a casa de alguem toda de preto e mandar mau agouro para a familia.
Terceiro, tem um lance que eu considero a maior maletice do mundo. E uma tal de bolsinha vermelha com dinheiro, meu caro, que voce precisa carregar ate o dia 15 de fevereiro, quando acabam as comemoracoes e as lanternas vermelhas se acendem. O lance e o seguinte: quem for mais novo que vc, vai chegar com um tal de  Hong Bao Nai Lai. E ai, meu amigo, vc tem que dar a bolsinha vermelha com nem que seja um kuai dentro. O meu problema e - todo mundo sabe que eu sou a maior mao fechada do mundo e todos os meus colegas sao mais jovens do que eu! Se prepara para o golpe…
Desde da madrugada do dia 6, quando sai para pegar o voo para Beijing, que escuto Hong Bao Nai Lai. Nao aguento mais. Amanha, me rendo ao espirito do ouro chines e saco dinheiro. Puta da vida. Mas, fazer o que? Quem nao aguenta, vai para a Disney.
O pior e que ate os chineses tao me dizendo que a galera ta sendo mala comigo, porque a tradicao so vale para as criancas. Nao te digo que Wuhan e o lugar dos malandros. Mas, tambem, me vingo. Amanha, vou sair pedindo bolsinha vermelha para tudo que e gerente. Voces vao ver.
Bem, preciso contar o que aconteceu quando cheguei a Beijing. A primeira boa noticia era que iria passar a virada do ano novo com uma familia chinesa. Gracas a Amelie, namorada do meu amigo brasileiro, Victor. A doce francesa havia sido convidada por uma colega chinesa e estendeu o convite a mim.
 Compramos uma cesta de frutas. Sim, essa e a forma que se deve retribuir a quem lhe oferece um jantar na China. Ao chegar a casa de Wendy, uma lar animado, decorado com bolas, imagens de ratinhos felizes, fitas vermelhas. Sorrisos estampados e um orgulho de estar recebendo estrangeiros. A filha iria completar 24 anos, idade magica (os chineses acreditam que de 12 em 12 anos, quando o seu horoscopo chines casa com o do ano em vigor, a nova idade define os rumos que a sua vida vai tomar nos proximos anos). Entao, Wendy resolveu convidar seus amigos de fora.
A mesa estava posta de um canto a outro coberta de comida. Cada prato lindo. Sentamos todos em volta dela. Entre os parentes, a vozinha de 86 anos, cabecinha branca e sendo paparicada por todos, no tipico respeito dos orientais aos mais velhos (Me deu uma saudade danada da minha tia-bisavo Tatai, que nos deixou aos 96 anos).
Primeiro, quem tem que comecar a comer sao os convidados. So que ate que a gente entendesse isso, demoraram minutos entre todos se entreolhando. Quando a comilanca comecou, a gente ate que tentou se livrar dos pratos apimentados. Mas, o chef, tio de Wendy, tava tao orgulhoso de ver a gente se esbaldando nos pratos, que comecou a enfiar tudo que e comida nas nossas tigelas. Haja cerveja para apagar o incendio na garganta!
Quando a comida acabou, todos seguiram para a sala para ver o especial da TV Chinesa de Natal. O nosso velho Roberto Carlos e a batida Xuxa do dia 24 aqui sao um show com operas, bailarinas e pecas de teatro com mensagens moralistas. Um grupo adolescente, tipo Rebeldes, cantava que “chines e a nova moda, que ninguem quer mais aprender ingles, porque e coisa do passado”. Depois dessa, cai no sono, dei um cochilo. Quando acordei, expliquei que na America do Sul ha o habito da cesta. Meia-verdade para escapar do mico.
Aqui, uma curiosidade. Todos os mais velhos da casa de Wendy falam russo. Reminiscencias do mundo comunista de Mao. E, por falar em governo, aqui vale contar uma passagem interessante. De repente, no meio do especial de Ano Novo, aparece Hu Jintao carregando sacos de neve, em meio aos funcionarios que tentavam limpar os trilhos dos trens e salvar o ano novo chines. Juro que vi os chinas rindo. Comentei com Victor: “Rapaz, eles tao tirando onda de Hu Jintao tanto quanto a gente tira onda dos discursos de Lula”. Victor:” Sera?”. A gente perguntou a Wendy. A reposta foi:” Eles devem ter rido mesmo, afinal, sabem que Hu Jintao esta fingindo numa propaganda do governo”. Wendy, por via das duvidas, pergunte, minha querida. Eis que ela volta com a seguinte resposta: ” Eles nao cacoaram, riram de orgulho, porque sabem que Hu Jintao e um homem bom e honesto”. Sacaram o espirito da coisa? Sacaram como as coisas sao diferentes entre a terra do Dragao e do Cristo Redentor?
Bem, para terminar a noite, os chineses nos levaram para ver os fogos de artificio, quando a meia-noite se aproximava. Primeiro, em frente de casa, cada familia solta seus rojoes, suas bombinhas, que, diga-se de passagem, beeeeem mais poderosas que qualquer uma que ja tenha visto no Sao Joao de Caruaru. Bem, os carros de policia se espalham em cada esquina, caso seja necessario resgate. E tao certos mesmo. Nunca vi tanta lapa de doido soltando fogos perto de fio de energia. Por isso mesmo, o governo proibiu que as familias de algumas cidades continuassem com a tradicao. Mas, elas nao tao nem ai.
Eis que chegaria o creme de la creme. Fomos todos ver os fogos de cima de um hotel. Minha gente, meu coracao bateu num ritmo semelhante ao do frevo quando vi os fogos na Cidade Proibida, na Praca da Paz Celestial. Os ocidentais convidados estavam embasbacados. Victor so dizia que aquilo colocava o reveillon do Epcot Center no bolso para nao dizer a frase que ele realmente falava com palavras bem mais impactantes.  O detalhe era que o show nao era oficial. Era comandado por cada familia que se incumbia de tornar a virada do ano do Rato algo inesquecivel. Certo que estavam ainda mais empolgadas por ser um ano tao especial, com o orgulho de carregar um pais das Olimpiadas e de economia crescente. A dimensao do cenario era como se conseguissemos avistar os fogos de Boa Viagem a Casa Forte. Sem exageros.
Depois de tudo o que vi, ate que faz sentido a bolsa vermelha. Visitar a Muralha da China e se tornar uma Grande Mulher, como dizia Mao, e a Cidade Proibida, faz mais sentido ainda. Carregar a dor no joelho e nas coxas de tanto andar e subir escadaria nao e nada diante do que e sentir a imensidao dessa alma chinesa. Ate porque, se eu estivesse no Recife, estaria com tantos calos e tao quebrada pelo sobe e desce ladeira de Momo.
Com um detalhe: nunca recebi tantas noticias boas desde que voltei do ano novo chines. Amigos empregados, casando, primo aprovado no vestibular. Salve, Buda, que fez o sol brilhar de vespera e permitiu que milhares de chineses voltassem para casa.
Feliz Ano Novo do Rato! Que a forca e a vontade de ser grande dos chineses tomem conta de suas almas em 2008!

Add comment Fevereiro 16, 2008 anaadd

Uma terra de ãos, sem direito a inhos‏

Tá chegando o fim do ano na China. Mais precisamente, dia 6 de fevereiro, é o Ano do Rato aqui. E com isso, começa a onda de confraternizações em todo canto. O clima já é outro. Sabe aquela coisa de esperança, mudança. A gente acha que é tudo invenção da mídia. Mas, consigo sentir a diferença entre dezembro e agora. Bem, em meio aos festejos, é possível constatar que a China é um país de superlativos únicos. De ãos, não de inhos. O espontâneo, o simples pouco interessam. Ou seja grande para China, ou seja nada.
Comecei a ter essa sensação quando me convocaram para participar da festa de fim de ano da empresa. A gente, brasileiro, tá acostumado à velha cachaça e farra na mesa bancadas pela empresa e até a uma peladinha ou mesmo uma pista de dança. Ok.´Lá vou eu. Já me lembrando do mico de ter de cantar vestida de Mamãe Noel no Natal.
Me explicaram como era. Cada departamento precisa inventar uma apresentação artística. O meu, responsável por todo atendimento ao consumidor, resolveu ensaiar uma ópera. Meu papel? Segurar uma placa, indicando a passagem de fases da peça. Confesso que xinguei minha gerente todos os dias. Até porque tivemos que ensaiar, muitas vezes, embaixo do frio. Meu problema nem era tão grave. Meu ensaio era no horário do trabalho. E a galera que tinha começado a trampar às 7h e tinha de ficar até as 21h ensaiando :? Esses aí xingavam. Como xingavam.
Comei a achar aquilo tudo sem sentido. Se é uma festa para os funcionários… Por que dar ainda mais trabalho para eles? Taí mais uma das lógicas chinesas que é preciso entender.
Bem, a primeira coisa: chinês faz jus à fama de serem bons nas artes e na poesia. Gente, meus colegas que cursaram faculdade de Turismo e Hotelaria arrasaram no palco. Cantaram, interpretaram, dançaram. Isso em uma semana ensaiando. Com uma naturalidade sem igual. Fiquei imaginando meus coleguinhas de jornal (imaginem certas peças cantando como Luciano Pavarotti ou rebolando num samba em frente a uma platéia de cerca de 400 pessoas?) Formou? Garçom realizou a dança típica do Tibet, segurança interpretando. E tem mais: o mico maior ficou para os gerentões. Tiveram que se vestir de mulher e desfilar com os uniformes da gente.
Foi quando caiu a ficha do que aquilo representava para os chineses. Tudo tem que ser grandioso. Os vestidos que as dançarinas usaram eram um primor só. Cantaram no coral usando paralelamente a linguagem dos surdo-mudos. As meninas da faxina “dançaram com o dragão”, uma daquelas coisas únicas da China, com os meninos fazendo acrobacias vestidos como o símbolo do país. E por aí foi. Tudo acompanhado de fogos de artifício, bolhas de sabão, iluminação especial. Ah! E pelas bandeiras da China em todo canto e por esses trocinhos (buzina, chocalho) que a gente usa nas formaturas (Adivinha quem manda para o Brasil!)
Ao final, a competição. Claro. As melhores apresentações ganharam prêmios em dinheiro, os gerentes responsáveis subiram ao palco para receber a grana. Que não era muita. E, por isso, a decepção de quem perdeu não foi o bolso vazio. Foi o de não ter sido grandioso o suficiente.  É essa a lógica. O chinês, apesar de ser um povo feliz, tem isso de viver para trabalhar, ralar e de construir o grande. Na mesma escala do tamanho da população e da extensão do seu território.
Agora, um adendo: brasileira que sou, não perdi a chance de instigar a galera para uma cachaça. Hehehehe o que teve de gerente dando ninja no marido e na esposa para cair na boate. Menino, a galera enfiou o pé na jaca e não me deixaram pagar um centavo. Porque, afinal, em tantos anos, eu conseguira a proeza de juntar uma turma daquele tamanho para sair junto. Pensando bem… preciso arranjar uma forma de ganhar dinheiro com isso.
E amanhã tem mais: a minha gerente vai pagar um jantar. O detalhe é que, quando a refeição é para celebrar, é obrigatório que a mesa seja redonda, porque significa um ciclo que não se quebrou, a união, a perfeição. É, vivendo e aprendendo. Depois vai rolar karaokê, boate e a brincadeira do guardanapo. Ficou curioso, né… Vai continuar. Só digo uma coisa: sou perdoada porque sou gringa. Digo que não participo nem a pau.
Gente, venham para a China. Imaginem quão grandiosas serão as Olimpíadas.
 Beijos a todos!

1 comment Janeiro 24, 2008 anaadd

Adoro chinesa com cara de nojo para Juliana Paes‏

Depois de um recesso de inspiração, tô enviando mais um e-mail com algumas das minhas presepadas fantásticas. Vou começar pelo mico dos micos. Minha primeira amiga estrangeira aqui se chama Desma, que veio da Indonésia com o marido americano, Jeremy. Casal superfofo que sempre me chamava para as farras. Ela sempre me impressionava falando um português perfeito.Quando eu perguntava como ela havia aprendido, dizia: “Tinha muitos amigos brasileiros na Indonésia”. Eu pensava: “Brasileiro é uma praga mesmo, se espalha por todo canto”

O tempo passou. Ela partiu para Hong Kong e o marido ficou. Pedi para que ele levasse um presente para Desma. “Ok, sem problemas”. Peguei uma das camisas da Seleção Brasileira que trouxe e entreguei. Na hora, os outros americanos, amigos do casal, se entreolharam. Um me puxou e disse: “Ana, Desma sabe falar portuguÊs porque, antes de casar, ela namorava um jogador de futebol brasileiro”. Eu dando uma camisa da Seleção Brasileira! Mico! Mico! Ainda bem que Jeremy não é latino. Não ficou arretado com a “minha audácia”.
E, nessa mesma lógica da verdadeira praga universal - chamada brasileiros carismáticos e irresistíveis - conheci um garoto do Nepal, que conhecia Mutantes, Rita Lee e até Raul Seixas. Claro que perguntei como ele sabia daquilo tudo. Claro! “Tive uma namorada brasileira”. Minha nossa, como é óbvio isso. Como o brasileiro é o próprio cartão postal do nosso país.
Pelo menos, uma vez por semana, chega um hóspede comentando que é casado com uma brasileira, que tem uma mãe brasileira, que teve uma namorada. A gente se espalha, bicho. Não sei se por incompetência dos brasileiros ou por uma questão genética. Até entre os muçulmanos! Tem um palestino aqui que sempre diz que, na Arábia Saudita, os árabes amam casar com brasileira. Inclusive, o primo dele casou com uma. Vai lá usar burca, amiga! Se joga no lenço preto!
A diferença na Ásia é que ainda tudo é mais confortável. As referências às brasileiras ficam na beleza, sensualidade e alegria. A fama de prostituta fica com as russas e filipinas. Infelizmente para elas. Felizmente para mim, que não escuto ninguém pedindo para rebolar, como acontece na Europa. Saco!
Mas o que eu adoro é ver as chinesas morrendo de ciúme das brasileiras! Sempre perguntam por que todo hóspede puxa assunto comigo quando descobrem que sou brasileira. Tenho culpa se moro no país mais carismático do planeta? Que mesmo com nossa guerra interna contra a violência abre os braços para as pessoas de todo o mundo? Continua, gata, fazendo cara de nojo quando vê “a gorda” da Juliana Paes. Deixa que a fama da beleza fica com a gente. Mesmo tendo quadril de média 90 cm! Ave, carne e cintura!
PS: Surto de ufanismo. Saudade de casa. Entendam. Ave, superficialidade!

Add comment Janeiro 21, 2008 anaadd

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