Outubro 28, 2009

Paus-de-arara da nova era

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Quem sabe isso não se deleta da paisagem um dia?

Só um registro: Alguém já experimentou viajar a São Paulo ou Rio nesses vôos da madrugada, com tarifa superpopular?

Eu já. Algumas vezes.  Há quinze dias, voltando da capital financeira da América Latina, às 23h30, salão de embarque de Guarulhos, ouço o diálogo:

- Volto depois de 15 anos sem ver a família. Aproveitei a promoção e farei uma surpresa. Não avisei a ninguém que estou indo.

Quem falava era um senhor de cabelos grisalhos e rugas que contavam os esforços por uma vida diferente.

Ao desembarcar no Aeroporto Internacional dos Guararapes/ Gilberto Freyre (nome imenso, tão grande quanto a megalomania dos pernambucanos), ajudei uma moça com um bebê no braço. Ela não sabia descer a escada rolante.

Pode ser mais do mesmo. Mas, é diferente. Pau-de-arara com mais dignidade. Os Lulas de hoje podem ter mais conforto.

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Alguns de nossos Lulas já podem gozar de conforto

Outubro 7, 2009

Aprendi a gostar de São Paulo

Cenas de um Brasil.

Era uma vez uma pernambucana estressada, capaz de surtar em meio ao tráfico, que ama Museus e um bom restaurante.

Era uma vez uma pernambucana que, mesmo estressada, sabe usar um chinelo no pé, esticar a canga na praia, ir a um boteco e tomar vários choppes.

É terra para todo gosto.

Confesso que sempre tive predileção pelo Rio. Aquela São Paulo fervilhante, com quilômetros de trânsito me fazia arrepiar. E, como a maioria dos que trabalham, estar na capital financeira da América Latina significa corre-corre e turismo, só cavando um buraco na agenda.

Eis que em minha temporada de ócio, tive a oportunidade de ser escoltada por paulistanos para conhecer uma Sampa fan-tás-ti-ca, que tem muito a ver comigo.

Nada como passear na Liberdade com um "local'

Nada como passear na Liberdade com um "local'

Batam palmas para a Liberdade e sua riqueza. O bairro oriental mostra a generosidade do nosso país e arrisco: explica o paulista trabalhador. Os olhinhos puxados deixaram a determinação como marca no povo. (Momento piada: comprei uns docinhos japoneses comom lembramça para mainha. Mofou. Ela comeu o troço verdinho. Deve ter achado que era wasabi).

Paulistano já nasce chique

Paulistano já nasce chique

Engraçado ter como ponto turístico um terração em um prédio comercial. O

Terraço D’Itália prova que aqui não é a praia a bússola, mas onde há money, money, money circulando.

Puxão de orelhas em quem nunca foi ao Masp. Ai, foi tão bom relembrar minhas viagens pela Europa e Nova York, sentar em um banco e admirar a exposição de retratos do Museu de Arte de São Paulo, com quadros de Van Gogh, Modigliani, Picasso (Aproveitem o almoço buffet de lá, em conta e super descolado). E ainda há o Museu da Língua Portuguesa – lindo, que nos ensina a respeitar os meu, cara, uai, oxe. Como somos ricos! O Museu do Ipiranga – onde a gente aprende que a malandragem brasileira estava no sangue dos bandeirantes que desbravaram o Sudeste. O  Anhanguera jogava cachaça no chão, acendia e dizia que conseguia tocar fogo na água. Era uma forma de ameaçar os índios e os forçarem a mostrar o caminho das minas de ouro. E ainda, saindo do metrô, consegue-se conferir gratuitamente a exposição com curadoria de Fernando Henrique Cardoso, com registros do metrô de Moscou.

Arrematando, um pastel de bacalhau com choppe no Mercadão, passeio na 25 de Março, com direito a diferentes sonoplastias e água de coco no Parque do Ibirapuera.

Lindo pôr-do-sol, né, Sá?

Lindo pôr-do-sol, né, Sá?

É essa é a SP que foge da balada, do escritório, que é bonita,  chique, mesmo que Narciso não ache. Mas, que precisa urgentemente de mais metrô e ônibus que funcione. É inadmissível que o paulistano não cobre algo tão necessário. A tal da acomodação brasileira…

Qualquer alma canta aqui, nesse Rio tão contrastante

Qualquer alma canta aqui, nesse Rio tão contrastante

Já no Rio, ah o Rio, ah o Rio…

Onde eu estendo a minha canga para ler o meu livro às 5h da tarde, no Leblon. Sou surpreendida pelo rasante de um helicóptero da Polícia Civil, com um tira segurando um fuzil apontado para a praia. Não há quem não se assuste. Esse mesmo helicóptero seria baleado em um confronto no morro. Essa “violência” se dissipa quando você sobe em um ônibus e é tão bem tratada pelo motorista.

Continua lindo e merece ser a sede da Olimpíada. Carioca sabe agitar. Sabe ser feliz. Como me disse um americano com boa vivência mundo afora: “Ninguém sabe mais curtir a vida do que o carioca”. E vamos sambar na Mangueira, olhando as estrelas. Terapia para qualquer depressão.

E, se existir a chance, uma esticadinha para o Sul de Minas, a carro, pela estrada Imperial, construída pelas mãos dos escravos para que Dom Pedro II e comitiva passasse. Aí, é muito pão de queijo e paradinhas estratégicas para tomar água mineral em fontes que surgem pelo caminho.

Ô, Brasil, bom sô!

Outubro 7, 2009

É melhor ser alegre do que ser triste, em português ou chinês

Resgatando do baú, mais um post da série Deu no Diário Oficial – a seleção de textos meus publicados no Pernambuco, suplemento cultural do DO.

Com saudade da cerveja quente

Com saudade da cerveja quente

Num inverno cruel, ilhada pela neve, não resisti em espiar o carnaval do Galo da Madrugada pela Internet. Devido às maravilhas da tecnologia, pude ver as ruas apinhadas, sentir o cheiro de suor e o gosto da cerveja. Não consegui evitar a lágrima de saudade. A única coisa que aliviava a tristeza era saber que, enquanto todos queimavam a moleira, eu estava no ar condicionado terminando meu dia de trabalho. Eis que, para encerrar a noite, Asha, minha gerente, coça a cabeça, num gesto típico dos chineses de interrogação, e pergunta: “Você está triste por que não está aí?”. Termina a pergunta com uma cara de nojo.

Asha se recusava a entender o que levava tanta gente para a rua, por que eles pulavam como loucos e qual o prazer de dançar de forma desordenada. “Como uma nuvem de gafanhoto entrando na roça”, ela definiu. Não adiantou explicar a vibe da liberdade, da confraternização, de celebrar todas as classes unidas. A julgar que liberdade para os chineses pode ser “demais”, confraternização significa estar sentado a uma mesa redonda comendo até se empanturrar e “mistura”, algo extremamente perigoso, meus esforços seriam em vão.

Certa vez, li num semanário brasileiro, que o povo chinês era urgente por felicidade. A repórter acabara de chegar à China da Olimpíada e fizera tal leitura tamanha a extravagância para preparar a capital Beijing para receber a pira e abrir a cerimônia dos jogos. Imediatamente, veio a cena à mente do que seria urgência por felicidade. À brasileira, uma ladeira de Olinda repleta de gente pulando como pipoca. A Sapucaí tremendo de tanta gente sambando.

Felicidade é algo subjetivo. Claro. Mas, confesso que, para entender quando e como os chineses exprimem a sua alegria custou um pouco. Poucos dias depois, dava-se início ao Ano Novo Chinês. Aí, quem fez cara de interrogação fui eu.

Comida e música – É preciso entender a adoração do chinês pela comida. Ok, todo mundo gosta de uma tertúlia. Mas, confesso que nunca vi confraternização de empresa, universidade, família sem a famosa cerveja que esquenta o sangue.  Para o chinês, isso pode passar em branco. A possibilidade de a comida não acabar é mais que suficiente para ser a farra do ano.

Depois das refeições, sempre vem o fatídico karaokê. Nem pensem que as pessoas vão cantar de forma relaxada, entoar o brega do ano ou aquela música de mexer os quadris. Começa uma competição louca para quem tem o melhor desempenho, no maior estilo “Qual é a música?”, do Sílvio Santos, ou desses programas de competição de calouros. O ritmo, para completar, é a melancolia. A mulher que foi largada. O casamento proibido. E tome açúcar.

Claro que o meu tédio poderia ser compensado pelo belíssimo show de fogos de artifício e pelas curiosidades místicas que chegam com o Ano Novo Chinês. Em vez de saúde, deseja-se: “Fique rico”. No lugar do presente, uma sacola vermelha com dinheiro dentro. Com um detalhe: se você não quiser ser grosso, necessita carregar várias bolsas para entregar a qualquer “coleguinha” mais jovem que dispare: “Hong Bao Nao lai”. E tome golpe. Eu ainda pensava no carnaval democrático de Pernambuco.

Cada um no seu quadrado – Aí, lembrei, novamente, do comentário da repórter: “O chinês é um povo urgente por felicidade”. Como cabeça vazia, deve-se preencher de uma forma apropriada, inventei de fazer as conexões com o passado para justificar esse jeito chinês de ser.  A fixação pela comida? Claro! Anos de fome unidos ao orgulho nacional pela “melhor comida do mundo”.

O karaokê? Bem dê a César o que é de César. Os chineses, com tamanhos “ins”, “ons” na fala, só podiam ter uma afinação daquelas. Sem falar que a falta de quadril na genética também desfavorece o requebrado. Ora, convenhamos! Já a melancolia das canções deve ser para que essa nação, onde a regra geral é “casamento é uma coisa, amor, outra”, se reconheça nas letras cheias de sofrimento.

Perdão por toda essa liberdade “antropológica”. Desculpas pela ousadia em determinar “o que é bom, ou ruim”. Esse povo que urge por felicidade… Terminei a experiência do meu primeiro carnaval longe das ladeiras desconfiada que isso, nós, brasileiros, temos demais.

Agosto 13, 2009

Sex & the City sem as pontes de Manhattan

Em vez de Nova York, enxergando o amarelo ocre do Líbano pela vitrine de um cabeleireiro

Em vez de Nova York, enxergando o amarelo ocre do Líbano pela vitrine de um salão de beleza

Dica de programinha para o domingo: assistir ao filme Caramelo, de Nadine Labak. Um Sex & the City das Arábias, ambientado no Líbano. Nas devidas proporções (e que proporções!), temos uma romântica Charllote que sonha em casar. Mas, não é mais virgem e não sabe como dizer isso ao noivo.

Uma Samantha, que não quer envelhecer, mas sem a liberdade de usufruir da solteirice – na verdade, divórcio – cuida dos filhos e cultiva a neurose de competir com as mais jovens em seleções para modelos de comercial de TV.

Uma Carrie às voltas com seu Mr. Big, casado e que nunca vai deixar a esposa.

Uma versão Miranda, de mulher sem vaidade. Com um detalhe mais apimentado: gosta de pessoas do mesmo sexo.

Nada de pubs e bares, a diversão da mulherada é se depilar, fazer a unha em um salão de beleza.

O interessante é que, diante do seriado americano, quando se percebe que as anglo-saxães estão bem mais à frente do tempo em que nós, latino-americanas vivemos – em termos de liberdade feminina -, Caramelo mostra uma opressão singela. Onde há espaço para risadas entre amigas. No entanto, as saídas são poucas. É preciso se virar para ser feliz em uma sociedade conservadora.

Assistam. Só nós mulheres sabemos a dor e a delícia de ser o que se é. ;)

Julho 28, 2009

Infidelidade no Brasil: bichinhos, eles não sabem se proteger!

Mulher brasileira: vítima do próprio machismo

Mulher brasileira: vítima do próprio machismo

Lendo a revista Época da semana passada (ritmo preguicite deixa a gente lentaaaa, desatualizadaaaa), deparei-me com uma reportagem sobre o livro recém-lançado da americana Pamela Druckerman. Na Ponta da Língua traz um relato de como diferentes culturas reagem à traição. Não foi minha surpresa constatar que os americanos são os que mais se sentem culpados quando traem. Nem que os russos são os que consideram isso algo tão normal e até algo up-to-date.

O Brasil ficou de fora da pesquisa. Uma pena. Mas, aproveitei o ensejo para relatar uma experiência antropológica realizada num restaurante tailandês em Xangai.

Estavam à mesa eu, uma brasileira, uma irlandesa, um indiano, um sueco. Todos os estrangeiros com passaporte contendo o carimbo brasileiro. O indiano com vivência de alguns anos puxa o assunto. Convivendo com os coleguinhas de trabalho e escutando famigerados comentários durante o cafezinho (além de outras experiências bizarras que não vale aqui relatar), chegou à conclusão que no Brasil quem não trai mente para se socializar.

“É incrível como na terra de vocês quem é fiel à esposa tem vergonha disso”, comentou o executivo que fala mexendo o pescoço. O sueco endossou. A irlandesa só reforçou (Quem passou carnaval no Rio, xiiiii… imagina o que viu!).

Aí, eu fiz o seguinte questionamento: Meus caros, se a sua namorada chega a um bar e te vê beijando outra, quem ela mata?

O indiano: Eu, claro!

O sueco sem piscar: Não sobra nenhum pedacinho meu para contar a história!

A irlandesa, colocando-se no papel da traída, não hesita: Mataria o vagabundo!

Eu emendo o comentário: No Brasil, a mulher mata a vadia. O homem continua reinando absoluto. Afinal, bichinhos, não agüentam a tentação.

A brasileira ratificando: “É que tem mulher que sabe que os caras são casados e mesmo assim dão em cima” Ôoooo, pobres desprotegidos!

Pois é, meu bem, cada um tem o que merece.

Maio 10, 2009

Filipinos – o que seria do luxo asiático sem eles?

aCanudo na mao, sonhos e passagem de aviao para um destino melhor

Canudo na mão, sonhos e passagem de avião para um destino melhor

Tá vendo essa turma aí em cima? São filipinos recém-graduados. Todos com o canudo e passagem na mão para abastecer o mercado de mão-de-obra barata da Ásia. Não importa. Jornalistas, engenheiros, enfermeiros, administradores. Alguns têm sorte e conseguem até se inserir no mercado na sua área de atuacção. A maioria segue um caminho distinto do que foi ensinado nas salas da universidade. Tornam-se babás, cozinheiros, faxineiros. Nada muito diferente do que acontece com latinos e asiaticos que imigram para Europa, Japão e América.

Para mim, as Filipinas eram um país onde se faziam as camisas Nike e Puma vendidas nos outlets por preços promocionais em Nova Iorque. E só.  Não sabia que era um dos paises com uma das agriculturas mais produtivas da Ásia. Que mesmo assim, ano passado, durante a crise dos alimentos, houve desabastecimento, já que o governo  nao conseguiu se planejar e vendeu tudo para a faminta China. Que tem praias lindas, como Boracai. Que as pessoas falam tagalo – uma mistura de palavras em inglês, espanhol e palavras do dialeto local. Além disso, todos falam inglês. Mesmo que com um jeito manhoso, quase miado.

Sim, o resquício da dominação inglesa fez com que todos comecem a estudar o idioma cedinho. E isso e um baita diferencial no mercado de exportação de mão-de-obra barata. Chique na China é ter empregada filipina. Para que uma madame teria o trabalho de aprender chinês e lutar com a empregada chinesa? Mas, uma coisa há de ser dita: além do inglês, há a grande vantagem de que os flipinos são extremamente limpos e organizados!

Quer respirar aliviado? Olhe se a cozinha do restaurante tem filipinos trabalhando.

Quer se divertir? Vá a um bar onde há uma banda filipina. Eles arrasam! Nasceram com o dom do canto dos olhinhos puxados e com um “certo gingado” herdado dos latinos que passaram por lá.

As Filipinas padecem do mesmo mal da violência, fruto da desigualdade social. Dizem que cada um povo tem o governo que merece.  Se você está lendo esse e-mail com uma ideia de que essa realidade nao nos diz respeito, é bom abrir os olhos. A situação no Brasil melhorou. Concordo. Mas, continuamos exportando brasucas cheios de sonhos e necessidade de encontrar respostas. Para o bolso, para os sonhos.  A prova disso é Washington, como mostra o colega Eduardo Oliveira, do blog Brazil com Z (http://oglobo.globo.com/blogs/brasilcomz/) . Lá o sotaque mineiro reina. Como o sotaque nordestino impera em salões de beleza em São Paulo, nas portarias do Rio de Janeiro.

Como nordestina, que sente na pele preconceito, nunca me dei o direito de diminuir esses sonhadores de mala na mão. E confesso que senti-me angustiada de ter de recusar uma candidata a vaga de lavadora de pratos. Ela era formada em Jornalismo, com especializacao em Ciências Políticas. Perdeu a vaga para uma filipina que so tinha o Ensino Medio, mas ja havia trabalhado em um restaurante.

Injustiças do mundo.

Maio 7, 2009

Esquecam a salada, a barrinha de cereal. Os seus problemas acabaram

 

Por baixo da burca, existe, sim muita sensualidade

Por baixo da burca, existe, sim, muita sensualidade

 

 

So quem tem quadril largo sabe a dor e a delicia de ser o que se e. Ontem, algo inedito na minha vida aconteceu. Pela primeira vez na vida, uma calca coube de imediato, sem precisar de ajustes. Nem na bainha!  Se o Brasil e a terra das curvas, eu ja nao sei. Por que entao eu sofro tanto para comprar jeans ai? Oras! E um tal de aperta na cintura, na coxa, so para a dita cuja passar pelos quadris.   

Para quem vem da China, onde a unica roupa que conseguiu comprar foi em uma loja de gravidas … Imaginem minha alegria!

Como para todo pe troncho, ha um sapato que cabe, descobri onde estou no padrao. O do Oriente Medio!

Eu ja sabia que o pessoal aqui e chegado na maxima ” E bom ter onde apertar”. Assistia as novelas na TV a cabo, quando ainda estava na China, e via que as atrizes simbolo sexual ostentavam um corpo que colocaria qualquer Adriane Galisteu de cabelo em pe. Nao que fossem feias, de forma alguma! Apenas elas nao se incomodam de passar por uma construcao e escutar certos elogios. So que, partindo do principio que o que esta na TV e quase utopico, a realidade das ruas e bem mais rechonchuda.

 

Mesmo com algumas gordurinhas

Mesmo com algumas gordurinhas

E dai? 

 

Entrei na academia de ginastica. Kibe, muito azeite e pao pita e tudo que um corpo arredondado nao precisa. Para quem rala para caber num biquini, surpreendi-me como as mocas daqui que, mesmo cobertas de preto, tem vaidade. Seja com pneuzinhos ou nao, estao la suando. Tudo bem que muitas nao tem coordenacao motora. Especulo que seja pela falta de liberdade que tiveram ao longo da vida de mexer com o corpo, descobri-lo. Mesmo assim, a professora esta la, sarada. E arabe. Sai da Academia vestida de preto. Para a musica da aula quando a mesquita chama para rezar (Pois e, mesmo fazendo abdominais, elas arranjam folego para as preces).

A arabe gasta uma nota com depilacao, estao sempre com as unhas vermelhas, a sobrancelha bem feita. O que elas podem mostrar, mostram mesmo. Ja soube que, todos os meses, elas fazem tratamento estetico e compram uma lingerie nova para o marido. Nao duvido. No principal shopping de Ras Al Khaimah, enquanto eu rodo para comprar um par de saltos por falta de opcao, as lojas de lingerie estao em todas as partes. Ha desde as romanticas, as apimentadas e as com muito brilho.

 

Um bom negocio aqui? Lingerie, maquiagem e salao de beleza

Um bom negocio aqui? Lingerie, maquiagem e salao de beleza

E ja que falamos em brilho, uma sugestao que dou a quem passear pelo Oriente Medio: parar numa loja de vestidos para casamento. Tudo dourado, com penduricalhos, lantejoulas. Bem, para os adeptos do minimalismo pode soar como cafona. Mas, ja dizem os populares, gosto cada um tem o seu. Sejam pelas curvas brasileiras, o espeto chines ou as bainhas arabes. 

 

Viva a diversidade! Nunca cansarei de dizer isso.

Abril 27, 2009

Sim, nos temos porco

 

Deu agua na boca?

Deu agua na boca?

 

Em tempos de Gripe Suina, nada como morar no Oriente Medio! Enquanto na China e nas Americas, do Sul ao Norte, o panico impera, nuca estive tao tranquila. Meus caros, nas terras onde se reza quatro vezes ao dia, presuntinho, mortadela, pastrami nem pensar! So de peito de peru. Nada como uma vida saudavel, han?

Ontem, por coincidencia, Vossa Alteza, Sheikh deste Emirado, veio conversar no escritorio. Uma das facetas da Autoridade e gostar de papear sobre o Isla. Se ele tem tempo, pode ter certeza que escolhe quem sera o proximo a ter uma aula sobre a vida do Profeta Maome e os mitos que o Ocidente cria sobre o Corao e seus mandamentos.

Aproveitando a pauta da midia internacional, achei de perguntar o porque da proibicao da carne de porco para os muculmanos. O Sheikh foi taxativo: e uma carne perigosa, suja e altamente transmissora de bacterias e doencas, senao cozinhada propriamente. Eu aguardava algo mais sublime, algum mandamento dos ceus. Mas, nao. Simples, assim.

Nao e a primeira vez que escuto a mesma justificativa. De fato, no Corao, nao existem apenas mandamentos que conduzem as almas a redencao. Mas, tambem, regras de higiene, como a obrigacao de homem e mulher se rasparem para eliminar os pelos e odores, os cinco banhos diarios, (Imagina, arabe e uma turma peluda danada, sob esse sol e sem desodorante… o Profeta resolveu colocar ordem na casa), comer apenas com a mao direita, ja que a esquerda serve para o asseio pessoal.

Obvio que surgem folclores. Ao fazer a mesma pergunta a um amigo sirio, este me respondeu que o porco tira o ciume de dentro do homem, ele perderia, assim, a capacidade de se revoltar quando um marmanjo se aproxima da filhota e, por consequencia, deixar de proteger a familia. 

O fato e que, meu caro, se voce vai sentar para fazer negocio com um habib, nao coma porco nas ultimas 24 horas. A turma aqui tem uma sensibilidade incrivel ao cheiro do suino. E como vegetariano que sente a chegada de um carnivoro a distancia. Quantas vezes, ao tomar o taxi com os meus amigos seguidores de Ala na China (onde as pessoas comem porco adoidado e nao escovam os dentes), eles pediram para descer devido ao bafo do motorista!

Mas, ainda um detalhe: Nos Emirados, e possivel, sim, comer um baconzinho. Naquelas palmeiras fantasticas, obras do ser humano, onde o mar foi aterrado. La, nao e Terra Santa. Entao, ta liberado! Ta tudo liberado! E a cervejinha tambem. Os alemaes  e americanos que fiquem felizes.

Abril 24, 2009

De burca, biquíni ou saião, todas querem a mesma coisa

As mocinhas aí fazem a fila andar e estão nem aí. Queria ter o poder das Mosuo!

As mocinhas aí fazem a fila andar e estão nem aí.

Hoje, Sexta, dia de folga, aproveitei para me bronzear na laje. Isso mesmo. Biquinão, bronzeador, Ipod e toalha. Subi à cobertura da vila onde moro (um tipo de habitação bem comum aqui, são casas com mais de dois andares, parede colada com a do vizinho e isoladas por um só muro) para aproveitar o dia de céu azulzão.

Aqui, tem praia onde dá para usar biquíni. Infelizmente, minha casa fica numa área árabe, então, pezinho na areia sem burca nem pensar! Como nos bons tempos da minha vida no Recife, levei um livro para me entreter enquanto torrava. Escolhi O Reino das Mulheres, de Ricardo Coler. Este argentino jornalista, médico e escritor desbravou o mundo das chinesas Mosuo, minoria étnica que vive em Yunnan, na China.

Infelizmente, não tive como ir lá, conferir com meus olhos um dos últimos matriarcados da Terra. Sim, meus caros, existem povos onde a mulher é quem manda. Nesta leitura, que recomendo a todos, o autor mostra como nessa comunidade a violência é considerado algo baixo e vil, ciúme é mesquinhez de alma, possessividade, nem se fala.

As Mosuo não casam. Vivem eternamente na casa da mãe. Quando a matriarca morre, a filha mais velha assume o papel de ser a chefe provedora do lar. Elas administram, dão a ordem, os homens apenas executam o que há de braçal, de força. Afinal, o tônus muscular masculino é algo incomparável.

Elas escolhem os homens com quem dormem. Os cavalheiros batem à porta delas à noite e elas dizem se os querem ou não. No final, vão embora. São apenas amigos. Se são alçados à categoria de namorados, aí, a fidelidade é exigida. Mesmo assim, se o gorro do dito cujo é visto pendurado na porta de outra moça, nada de gritaria, rolo de macarrão na mão e rebuliços. Para essas chinesinhas, colocar nas mãos de um homem a razão de viver é algo impensável. A vida sempre continua. A fila sempre anda.

Os filhos não conhecem os pais. Quando engravidam, mal sabem que foi o responsável já que, como vocês podem ver, nesse tipo de casamento andante, os parceiros são muitos. A figura masculina na casa são os tios, ir

Que devem torrar aí dentro, ai, isso devem!

Que devem torrar aí dentro, ai, isso devem!

mãos.

Aí, levantei-me para olhar a vista. Enquanto os rapazes jogavam beisebol, suas esposas, de preto completo, molhavam os pezinhos na água. Parei uns minutos para refletir sobre a minha realidade, a que eu acabava de descobrir pelas páginas e a que eu via.

Normalmente, nós, ocidentais costumamos ter uma pena danada das moças de burca. Confesso que ainda não tive a chance de bater um papo cabeça com uma local, adepta do véu. Queria saber mais sobre o que elas pensam. No entanto, lembro-me de uma vez questionar um amigo por que a mãe dele insistia em cobrir todo o rosto, se ela poderia apenas envolver os cabelos com o véu. A resposta: “Ana, isso para ela não é sofrimento. Ela se sente valorizada, porque meu pai quer privá-la de ser exposta. Ao mesmo tempo, ela esconde o que há de melhor, já que não interessa a ela exibir sua beleza a quem pouco vai lhe agregar”.

Lembro-me muito de um amigo germano-indiano, que esteve no Recife. Não havia ainda partido para meu périplo pelo mundo. Estava para decidir entre China e Índia. Comentei que um dos motivos que optaria pelo primeiro país seria a liberdade que não teria no segundo, conhecido por ser um local onde a cultura é machista.

A resposta: “Ana, é uma outra forma de encarar a mulher. Primeiro, para nós, a ocidental é tratada como uma coisa, um objeto quando tem seu corpo exposto para ser, à primeira vista, o seu cartão de visita. Quando deveria ser valorizada pela sua alma, seu caráter. Segundo, o que pensamos é: Se homem e mulher saem de casa, quem cuida dos filhos? Vocês não percebem que a indiana, dona-de-casa, não é considerada um encostou ou algo inferior, como no Ocidente. Ela é valorizada por ser peça fundamental na família”

Sempre achei a cultura brasileira injusta conosco, seres do sexo feminino. Canta-se uma liberdade que não existe. Podemos, sim,usar minissaia, top, barriguinha de fora. Só que, ao meu ver, somos tratadas como bens sexuais pela mídia, pela sociedade. Daí essa obsessão da brasileira com plástica, fitness. Somos um país onde se lê pouco e se malha muito. Nada contra a vaidade (Também, que fique claro, não sou uma daquelas nerds horrorosas e despeitadas!), nada contra o belo, mas conteúdo é preciso. Amém, existem mulheres na terrinha que sabem dosar bem isso. Mas, a maioria ainda precisa saber lidar melhor com essa questão.

Que a brasileira devia mexer mais o cérebro, ah, isso devia!

Que a brasileira devia mexer mais o cérebro, ah, isso devia!

Não acredito que existam verdades absolutas. Continuo respeitando as adeptas da burca e, sinceramente, não me inspiram pena. O que é injusto é a falta de opção. É quando vivem em países onde, se querem ter o direito de ser diferentes, são punidas. Isso, sim, me dá pena. E que fique claro: os apedrejamentos que são tão alardeados na mídia para aquelas que desistem do véu não existem nos Emirados, tampouco estão determinados pelo Corão.É o mau uso das palavras de Alá para fins políticos em países como o Afeganistão.

Mas, aí isso é assunto para um outro post.

Queria terminar com a frase de uma das chinesinhas Mosuo, escrita no livro de Coler. Ao ser perguntada de que tipo de homem gostava, a matriarca, do alto do seu poder, respondeu: “O que presta atenção em mim, cuida de mim e me protege”. E quem não gosta? Sejam as moças dos olhinhos puxados, as de preto ou as de biquíni. Cada uma no seu galho. Mas, gostando do mesmo tipo de macaco.

Por que os homens não aprendem?

Abril 11, 2009

Paquera no Oriente Medio: Ah! Se os celulares falassem …

 

Essa e para quem acredita que nao existe azaracao por essas bandas de ca.

Desde que a Internet e o celular apareceram no mundo, as coisas mudaram. Disso ninguem duvida. O que talvez ninguem imagine e como a tecnologia deu uma forca aos habibs e olhinhos puxados a descolarem uma companhia.

Na China, uma pesquisa publicada no China Daily News  recentemente mostrou que mais de 70% dos jovens usam ferramentas de bate-papo como o msn e o ICQ para se aproximar dos alvos de paquera. Numa sociedade conservadora, onde mesmo sem a burca e as limitacoes impostas pela religiao, os pais continuam definindo quem sera os futuros maridos e esposas dos rebentos, essa tem de ser a ponte. Alem do que o chines acredita que essa “timidez” e uma forma de respeito. Gabam-se de nao serem atirados como os ocidentais. Um detalhe interessante: na China, o ICQ e mais popular que o messenger. Talvez porque, no lugar da foto, eles exibem um bonequinho virtual, que pode ser alto, loiro, com olhos azuis, do jeito que o cidadao sonha ser. Isso e bem peculiar uma vez que os chininhas se acham feios e sonham em ter olhos grandes. Basta brechar qualquer tela de bate papo. Nunca vi tanto galego alto naquela terra.  Pobre da chinesinha que se iludir.

Ja no Deserto, a febre e o Bluetooth dos celulares. Descobri isso quinta-feira passada, o fim-de-semana dos arabes (Sim, aqui a folga e na quinta e na sexta, porque, segundo o Corao, foi quando Deus descansou depois de criar o mundo). Estava devorando um kibe com salada fatoush na praca de alimentacao do principal shopping da cidade, quando percebi que na tela do meu celular aparecia a solicitacao para receber um arquivo. Meu aparelho e programado automaticamente para o Bluetooth e eu so descobri aqui! Essa ferramenta permite o envio de fotos, videos, musicas de outros aparelhos que tambem possuem essa tecnologia.

Enfim, aceitei e baixei o arquivo. Algum habib na area mandou uma musica arabe. Nao dei bola. O carinha nao desistiu e mandou uma animacao cheia de coracaozinho. Eu, nem ai.  Ele insistiu. Mandou uma foto do lugar onde estava sentado. Nem virei o pescoco. Eis que descobri que eram varios habibs! Eles comecaram a mandar fotos. Todos reprovados!  Mesmo assim, ainda recebi uma enxurrada de videos, fotos, musicas e ate convite para sair para jantar. Terminei o lanche com o ego mais que amaciado e comprovando o que as mulheres viajantes falam: os arabes,  assim como os italianos e os gregos, sao os caras mais insistentes do planeta!

E mais um detalhe: o assedio nao e so com quem usa cabelos ao vento. Meus amigos habibs da China ja haviam me dito que, na Arabia Saudita, onde a mulherada cobre ate o olho, e um tal de SMS com mensagens nada, digamos, islamicas para la e para ca.

Vai nessa. Ninguem sabe o que esta por baixo do pano.

Mah salahm!