Maio 10, 2009...7:25 am

Filipinos – o que seria do luxo asiático sem eles?

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aCanudo na mao, sonhos e passagem de aviao para um destino melhor

Canudo na mão, sonhos e passagem de avião para um destino melhor

Tá vendo essa turma aí em cima? São filipinos recém-graduados. Todos com o canudo e passagem na mão para abastecer o mercado de mão-de-obra barata da Ásia. Não importa. Jornalistas, engenheiros, enfermeiros, administradores. Alguns têm sorte e conseguem até se inserir no mercado na sua área de atuacção. A maioria segue um caminho distinto do que foi ensinado nas salas da universidade. Tornam-se babás, cozinheiros, faxineiros. Nada muito diferente do que acontece com latinos e asiaticos que imigram para Europa, Japão e América.

Para mim, as Filipinas eram um país onde se faziam as camisas Nike e Puma vendidas nos outlets por preços promocionais em Nova Iorque. E só.  Não sabia que era um dos paises com uma das agriculturas mais produtivas da Ásia. Que mesmo assim, ano passado, durante a crise dos alimentos, houve desabastecimento, já que o governo  nao conseguiu se planejar e vendeu tudo para a faminta China. Que tem praias lindas, como Boracai. Que as pessoas falam tagalo – uma mistura de palavras em inglês, espanhol e palavras do dialeto local. Além disso, todos falam inglês. Mesmo que com um jeito manhoso, quase miado.

Sim, o resquício da dominação inglesa fez com que todos comecem a estudar o idioma cedinho. E isso e um baita diferencial no mercado de exportação de mão-de-obra barata. Chique na China é ter empregada filipina. Para que uma madame teria o trabalho de aprender chinês e lutar com a empregada chinesa? Mas, uma coisa há de ser dita: além do inglês, há a grande vantagem de que os flipinos são extremamente limpos e organizados!

Quer respirar aliviado? Olhe se a cozinha do restaurante tem filipinos trabalhando.

Quer se divertir? Vá a um bar onde há uma banda filipina. Eles arrasam! Nasceram com o dom do canto dos olhinhos puxados e com um “certo gingado” herdado dos latinos que passaram por lá.

As Filipinas padecem do mesmo mal da violência, fruto da desigualdade social. Dizem que cada um povo tem o governo que merece.  Se você está lendo esse e-mail com uma ideia de que essa realidade nao nos diz respeito, é bom abrir os olhos. A situação no Brasil melhorou. Concordo. Mas, continuamos exportando brasucas cheios de sonhos e necessidade de encontrar respostas. Para o bolso, para os sonhos.  A prova disso é Washington, como mostra o colega Eduardo Oliveira, do blog Brazil com Z (http://oglobo.globo.com/blogs/brasilcomz/) . Lá o sotaque mineiro reina. Como o sotaque nordestino impera em salões de beleza em São Paulo, nas portarias do Rio de Janeiro.

Como nordestina, que sente na pele preconceito, nunca me dei o direito de diminuir esses sonhadores de mala na mão. E confesso que senti-me angustiada de ter de recusar uma candidata a vaga de lavadora de pratos. Ela era formada em Jornalismo, com especializacao em Ciências Políticas. Perdeu a vaga para uma filipina que so tinha o Ensino Medio, mas ja havia trabalhado em um restaurante.

Injustiças do mundo.

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