Caros leitores deste blog,
Trago aqui um presente. Na verdade, repasso-o. Recebi da minha irmã, que mora na Líbia há um mês depois de ter casado com o namorado de infância, brasileiro que se tornou executivo de uma empreiteira brasileira. Eu nunca tive a oportunidade de participar de um casamento tipicamente árabe-muçulmano. Fui a uma festa nos Emirados Árabes, mas não conta. O pessoal não seguia o manual de Alá à risca. Por este motivo, vibrei com o relato e as fotos que ela me enviou.
A Líbia fica na África árabe e é o país mais conservador depois da Arábia Saudita. Apesar de o ditador Kadhafi, considerado um dos grandes inimigos da América, dizer que o véu não é obrigatório e até recriminá-lo, a população reluta a se abrir para os costumes ocidentais.
Como vocês podem ler e ver nas imagens, a festa se divide entre luluzinhas e bolinhas. Homens para lá e mulheres para cá. Separadíssimos. E aí, a mulherada arrasa no decote e até na meia-calça 3/4 como podem ver. Bem que dizem que mulheres se vestem umas para as outras! Com respeito à privacidade delas, apaguei os rostos. Mas, pelo menos, vocês têm uma ideia do que existe por debaixo da burca. Pena que não vai dar para conferir as maquilagens pesadíssimas.
O dia em que compareci a uma casamento muçulmano
Por Clarice Addobbati
Primeiro, quando chegamos ficamos com muita vergonha. Não tínhamos ideia do que era pra fazer e todo mundo olhava para a gente como se fôssemos um monte de alienígenas de pernas de fora (ps. todas estávamos de casaco, porém com as pernas a mostra – ninguém tinha vestido longo pra ir à festa e nem ia comprar só para essa ocasião, né?). Até que Leila, uma amiga da noiva super fofa, que, graças a Deus!, falava um pouco de inglês nos acomodou em uma das salas da casa. Pelo que percebi, de um lado ficava a familia do noivo e do outro a familia e amigos da noiva.
Depois de um tempo, fomos pra umas tendas que estavam armadas no quintal da casa … Lá era bem colorido, o caminho todo marcado por velas, o chão todo coberto com tapetes e tudo decorado com muitas luzes coloridas. Parecia uma árvore de Natal. Só quem estava sentado nessa tenda era o pessoal do lado da noiva. Serviram pra gente um suco de cor branca. Péssimo por sinal! Tinha gosto de naftalina.
Detalhe: só para dizer que quem quisesse, poderia ir vestida com trajes típicos daqui…são horríveis por sinal… um monte de pano, umas coisas que pareciam uns sinos e umas panelas penduradas… pareciam um monte de vaca enrolada com tecido! Pelo que entendi, no mínimo a cerimônia tem que ter 21 mulheres vestidas assim pra dar sorte.
Depois entraram as daminhas vestidas com essa roupa típica na frente e atrás vinha a noiva, debaixo de um lençol que era segurado por amigas, também vestidas de traje típico. A noiva senta num lugar como uma espécie de altar, umas senhoras mostram o Alcorão da família e depois ela fica tirando fotos com uma roupa toda dourada! Depois ela sai, troca a roupa por uma com muitoooooooo ouro e volta para esse altar. Ai entra a familia do noivo com os presentes que foram comprados por ele. Era brebote que só! Tinha bota, roupa, jóia…. tudo misturado.
A família do noivo se acomoda e começa a comer e a dançar. As solteiras ficam se amostrando na frente das futuras sogras mostrando seu rebolation. E depois a comida é servida pros demais convidados da noiva. Chegam numas panelas grandes que se come com a mão ou de colher. Lá era um carneiro com um arroz de canela e uma coisa que parecia um pão frito acompanhado por um líquido branco que parecia uma coalhada.
Tudo é servido por pessoas da família que estão vestidas de roupas típicas. Os empregados também ajudavam. Enquanto a galera fica comendo, a noiva troca de roupa mais duas vezes. Cada roupa representa um lugar daqui. A de Bengazi era tão feinha. Mas a de Trípoli (a capital) …ouro era bóia! Lindíssima! A noiva parecia Nossa Senhora.
No final da festa, a noiva entrega lembrancinhas como forma de agradecimento pela presença. Ela entregou uma erva pra fazer de defumador e Hena para colocar na pele.
Valeu a pena conhecer por ser completamente diferente de tudo que já vi!

