Em Dubai, vá de metrô ou táxi cor-de-rosa. Nunca de ônibus

"Metromoça" em Dubai orienta os passageiros a seguirem para o vagão dos homens ou das mulheres


Os árabes abastados dos Emirados Árabes estão aprendendo a andar de transporte público. Na terra da gasolina barata, andar de metrô pode parecer ilógico ou imitação de vida européia. Não é. No trânsito caótico de Dubai, estava mais que na hora de existir uma alternativa. E ainda ecologicamente correta.

Conheci os dois lados da moeda. A vida sem e com metrô em Dubai. Em outubro de 2010, fiz questão de tomar o trem do Dubai Mall ao Media City. A rota é limitada, mas bem útil.

O projeto é grandioso e cheio de luxo como tudo nos UAE. As escadas rolantes se assemelham às do aeroporto. Há atendentes com fardinha de aeromoça. O preço: AED 7. Cerca de R$ 3,50, o ticket de uma viagem.

Agora, claro, o que não podia faltar: há os vagões para as mulheres, os para os homens e os mistos. E eu preciso dizer que esta cidadã que vos escreve, na pressa de ir a uma reunião, tomou o vagão dos homens. Só foi chegar na próxima parada para que a “metromoça” me orientasse a sair dali.
Então, eis que vem à minha memória uma das passagens mais arriscadas que enfrentei em terras árabes. Em fevereiro de 2009, passei uma semana nos UAE, hospedada em Fujeirah. Este Emirado fica a alguns quilômetros de Dubai. Para chegar à terra do Sheik Al Maktoun é preciso cruzar Sharjah, o emirado mais conservador, em que mulher não anda só na rua.
Como toda viajante curiosa, resolvi tomar o ônibus na tentativa de observar melhor os costumes locais. Ainda recebi o aviso de um amigo: “Aninha, toma um táxi, é cheio de tarado”. Ignorei e confiei na minha maestria e escapar de roubadas em horas cruciais.
Chegando à estação de ônibus em Sharjah, notei pouquíssimas mulheres. A maioria era de filipinas que largavam do trabalho. Tinha levado um lenço na bolsa, tratei de enrolar os cabelos.
Prontamente, o motorista me orientou a sentar nas cadeiras da “Sessão feminina”. Os homens iam chegando e se amontoando na traseira do busão. Eis que um espertinho resolve sentar na área das mulheres. De imediato, começa um burburinho. A macharada começa a reclamar e a chegar cada vez mais perto da sessão feminina, num ímpeto de “se ele pode, eu também posso”.
Não tardou para o motorista dar uma freada e um rapaz de kanduha, com pinta de policial, pegar o braço do cidadão invasor e jogá-lo ao encontro dos demais. Recado dado. O cara ainda deu uns gritos em árabe (só entendi a palavra sharmutah, o pior palavão de todos).
Lição entendida. Devia ter escutado meu amigo. Mas, ficou a história. Para as mais medrosas, aviso que ainda há opção em Dubai de tomar táxis femininos. Eles são cor-de-rosa, as motoristas dirigem tão bem quanto os rapazes e ainda não se rogam de carregar a sua mala. O que fez a minha experiência no ônibus de Dubai completamente dispensável :p

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