Viva à sofisticação portenha!

Em novembro do ano passado, aproveitei o feriadão para seguir a Buenos Aires, Argentina. Parece mais uma heresia ir ao outro lado do mundo e nunca ter ido antes visitar o país vizinho. Ainda mais porque tenho um primo morando na Terra de Gardel e muitas amigas argentinas da época do intercâmbio na Inglaterra.

Admitindo a minha chatice com turistas inconvenientes (considerando aqui a pretensiosa idéia de que não sou um deles), lembrei que feriado da Proclamação da República significa milhares de brasileiros cruzando a fronteira para terras portenhas. Deu-me nó no estômago.

A cena é a que se imagina: brasileiros às tuias significa barulho, muito barulho. Camisas de times de futebol por todos os lados (uma questão estética apenas) – pelas minhas estatísticas a maioria do Corinthians. Desrespeito a filas. Portanto, tratei de fazer um roteiro que não incluísse as opções habituais dos brasileiros.

Antes de me taxarem de complicada como as argentinas, preciso relatar algo que justifica a minha aversão a encontrar brasileiros no Exterior (Obviamente, há várias exceções, mas não consigo me livrar do sentimento de vergonha quando vejo um compatriota atravessando o limite do respeito ao próximo). Estava na livraria El Ateneo, com um exemplar recém-adquirido em mãos e ansiosa para folheá-lo. Segui até a cafeteria, pedi um capuccino com um alfajor e comecei a ler. Três brasileiros chegam. Fazem o pedido falando beeeem alto. A moça começa a cantar “Yellow Submarine”, dos Beatles, aos berros. Faço uma cara de reprovação e escuto: “Problema seu, aqui é para comer, não é para ler”. A despeito do fato que existiam leitores em quase todas as mesas.

Das impressões que reúno sobre Buenos Aires, digo que a leitura é algo constante entre os moradores. Nos parques, o que mais se vê são pessoas deitadas na grama, em grupo, em casal, sozinhas lendo. Dá gosto de ver.

Em todos os recantos, existem frases de protesto: “Educación a los corruptos” (faixa da carrocinha de um catador de lixo). “Carne es crimen” (para alegria dos veggies). Não é à toa que o personagem dos quadrinhos mais famoso da Argentina é a Mafalda, uma mocinha briguenta que defende as minorias.

Nos museus, esse espírito aguerrido está nas homenagens aos revolucionários latinos: Simón Bolívar, Getúlio Vargas, Salvador Allende. Lá, guerrilheiro é herói, não terrorista (Qualquer referência às acusações contra a nossa presidente Dilma Roussef não é mera coincidência).

Daí, eu começo a encontrar as respostas às acusações de que a mulher argentina é complicada. Mais sofisticadas intelectualmente, elas não devem aceitar alguém falando qualquer besteira ao pé do ouvido. E, claro, tornaram-se mais feministas, perseguidoras de seus direitos. Adoro ainda mais a Mafalda! E “to nem aí” para o ar decadente dos carros antigos das ruas portenhas. Decadence avec elegance.

La Dulce Vida em Buenos Aires

Publicado no blog João Alberto

Para quem vai a Buenos Aires e está em busca de conhecer a noite jovem, a cidade com certeza não vai decepcionar. Fugindo de Puerto Madero, San Telmo e o bairro de La Boca, existem opções com muita música, gente bonita e descolada.

Recomendo a rua Fitz Roy, em Palermo Hollywood, onde sempre rolam Jam Sessions, shows de rock, blues ou Black music (Recomendo a boate Makena). Se a boate que você escolher não estiver legal, não precisa se preocupar. Na rua, há opções para todos os gostos. Antes, vale um esquente na Rua Niceto Vega. Bares não faltam.

Ou até mesmo pode-se ficar por lá. Boates não faltam. E para quem curte rock n roll, é um deleite. O mesmo bairro abriga dining parties, onde o público além de apreciar um belo menu, emenda com uma balada ao som de DJs. Recomendo o terraço na esquina da Rua B Justo com Paraguay. O local não tem placa, é bem discreto, mas é super bem frequentado. O dono, Agustin, é quem recebe os visitantes e escolhe quem pode ou não entrar.

Farra nas Praça Francia!

Aos domingos, olho aberto na programação do Plaza Francia. Há sempre apresentações de músicos e artistas. Atenção para o Fuerza Bruta, uma mistura de Stomp com Cirque de Soleil que todos os anos retorna com um novo espetáculo. Os artistas usam acrobacias, músicas e até intervenções nada convencionais, como uma mangueira de bombeiro para molhar o público ao som de muita Techno.

Para encerrar, duas dicas: O melhor fim de tarde é no El Ateneo (um teatro antigo que se transformou em cafeteria e livraria). O piano é imbatível e o vinho, também. Para a fome do fim de noite, às sextas e aos sábados, corra para as pizzas e empanadas da Kentucky. Fica aberto 24 horas.

Y Viva La Dulce Vida en Buenos Aires!

2 Comentários

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2 respostas para Viva à sofisticação portenha!

  1. Ana, vc. já viu argentino no exterior, que não fosse o pessoal de oxford? Pois olha, la boca, é maior que a gente pensa. Mas também é verdade que brasileiro no exterior, sobretudo o novo rico, tem uma fauna inteira adubando praças, pontos turisticos, e metrôs. Mas, assim como no caso do hermanos, não dá pra generalizar.

    P.s. O que nunca entendi nos argentinos é a opção pelo caudilismo, agora de saia. Será a nova Evita?

  2. Ana Paula Trajano

    Ei, Ana!
    Vc movimenta aqui ainda?
    Vamos manter contato!
    Beijos!

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