Fugidinha à iraniana

No Irã, namorar também pode!

Estou me deliciando com o livro “O Irã sobre o Chador”, das jornalistas Adriana Carranca e Márcia Camargos. Comprei o livro durante uma conexão no Galeão, Rio de Janeiro, e confesso que o que chamou a minha atenção foi a capa belíssima – uma fotografia de mulheres com o chador, no dia da Grande Reza, que ocorre às sextas-feiras.

O Irã sempre foi uma caixa fechada para mim. Conheci muito pouco da cultura e do seu povo. Primeiro, porque nunca fui lá. Segundo, porque convivi com pouquíssimos iranianos durante as minhas viagens. Lembro-me que, quando vivi em Wuhan, interior da China, e trabalhava no hotel, fiquei super ansiosa de receber quatros hóspedes iranianas, engenheiras.

Avisei a todo o staff que precisariam de cuidados especiais. Nada de mensageiros, bellboys, o que seja, funcionário do sexo masculino atendendo-as no quarto. Para minha surpresa, chegaram quatro moças lindas, sem chador, burca e afins. Uma delas usava dreads no cabelo. Olhos claros, cabelos negros, traços finos. A mais velha – devia beirar uns 40 anos – vestia tops de alcinha no hall e tinha um corpo enxutaço para a idade.

No Irã, 70% dos bancos universitários são ocupados por mulheres. Especula-se que a iraniana é a mulher com mais horas de estudo no mundo. Temos, inclusive, uma ganhadora do prêmio Nobel da paz, Shirin Ebadi, e milhares de cineastas responsáveis por filmes aclamados pelos intelectuais dos intelectuais. (Daí, eu me achar o máximo quando perguntavam em Dubai se eu era iraniana)
Voltando ao meu encontro. Puxei assunto com as iranianas. Umas fofas. Inglês perfeito. Engenheiras de energia nuclear. Mostraram as fotos do pai de cada uma. Perguntaram onde ficava o bar mais próximo. Gente como a gente.

Além disso, há o Mr Farahd, um iraniano que é gerente de um dos meus clientes em Dubai. Muito simpático, solícito, orgulhoso da religião e do seu país. E total opositor de Ahmadinejad, o atual presidente do País. Com ele, conheci a culinária persa – bem parecida com a árabe. Destaque para os pães feitos à mão e na hora e um iogurte bem forte e salgado.
De sobra, todas as secretárias iranianas com quem cruzei, posso dizer, foram as funcionárias mais profissionais e gentis que conheci. Mérito total de uma cultura milenar, acostumada a receber milhares de povos e que abrigou os Jardins da Babilônia e outros tesouros da humanidade.

No livro, fica bem claro o quanto a população apóia a constituição de um governo laico, secular, mas que não aponta a religião islâmica como o grande problema do retrocesso político do País.

Bem, falemos sobre o amor. Ah! O amor. Em um lugar onde existe a polícia dos hábitos e bons costumes, gente solteira não pode namorar. Eis que as escritoras revelaram o segredo para as fugidinhas iranianas: os jovens casais enamorados tomam emprestados os filhos de amigos para fingirem que são uma doce e tradicional família. Com isso, podem passear com tranqüilidade e até trocar uns afagos discretos. Pois é, o amor sempre supera os obstáculos da vida. Que Ahmadinejad não saiba.

Mudando de país e ainda, de certa forma, falando sobre o mesmo assunto, descobri que nas Filipinas o divórcio continua proibido. Vou pesquisar mais sobre o assunto e prometo um próximo post.

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