As medidas – e posts – do que somos

E, hoje,  me assustei com uma coisa do Facebook.  Ele faz certas coisas serem bem corriqueiras diante da superexposição que temos a fatos cotidianos compartilhados, certo? Então, sabemos o que tornam as pessoas felizes: os quilos perdidos, as viagens, o carro novo, o namoro, o look que aprendeu a fazer. Tudo certo. Compartilhar felicidade é ótimo. Triste é quando me chama a atenção o celebrar de uma felicidade que era para ser algo super exposto e generalizado. Me emocionei com o post da super blogueira, que adoro de <3, Teta Barbosa, sobre a conquista do filho no vestibular de Engenharia. Aí, fiquei pensando quantas vezes vi no facebook esse tipo de celebração x o fútil, o consumo, a ostentação.

Não que a vida tenha de ser só seriedade. Apenas me assustam as medidas. Espero que alguém me mostre estatísticas contrárias.

E pensar que, em 1960, Coreia do Sul e Brasil tinham o mesmo índice de analfabetismo. Vivi 30 dias em Seul e amei o lugar – tecnológico e seguro que só. Ano passado, voltei a trabalho. E sempre fico mais apaixonada. Até porque os coreanos são leves, doces, mesmo com tanta pressão por suceder nos estudos (Ok, meu recorte é de quem anda nas ruas e compara com a China e outros países asiáticos). Sei que devem pipocar aqui contra-argumentos, apontando depressão, stress, etc. por conta da grande quantidade de horas de estudo a que os jovens coreanos são submetidos. Aí, é mais uma questão de calibrar a balança, não acham?

coreaninho estudando

Em Seul, estava em um grupo de estrangeiros familiarizados com o nosso país e de posse da informação que Brasil e Coreia do Sul já estiveram nos mesmos maus lençóis com a Educação. Várias razões apontadas para tamanha discrepância entre ambos: cultura, religião, disciplina, etc.

Voltei para casa com o dever de casa de pesquisar. Achei vários artigos. Em um deles, o autor apontava que, no pós-guerra, os líderes que assumiram as rédeas pensavam em planejamento e versavam sobre sacrifício. A conta era simples: essa geração teria que se sacrificar em trabalho para a próxima ter uma base sólida de estudo e formação.  Os investimentos maciços serão em Educação fundamental e haverá o Ministério do Futuro para criar o alicerce da sociedade coreana do futuro.

Aqui estão. Coreanos e o seu País. Conectado, moderno, produtivo. Mais justo. E eu assustada que a celebração tão linda de um filho que passa no vestibular tenha me chamado tanta a atenção.  Era para ser corriqueiro. Era para ser foco.

escola brasileira

E quando você estiver lendo, pense: o Brasil é o que você para os seus e para os outros. Cabe a você, pai, também querer que seu filho seja da Educação e não, do consumo. Sem eximir governantes de sua função. Mas, saibam que, em tempo de Facebook, os cérebros maquiavélicos estão nos acompanhando e vendo o que cada um “celebra” em sua timeline. E aí, vai de consumo de Tv de plasma ou na nota 10 do seu filho ou na melhoria do Ideb da sua cidade? A escolha é sua.

Ah! E nem venham dizer que no Brasil não dá certo. Eu mesma não posso dizer isso. Sou neta de um paraibano sertanejo, que estudou até os 12 anos, e que, com a melhoria de vida, decretou na minha casa: prioridade máxima é estudar. E nem venha filho, neto escolher folia em detrimento de estudo. Nunca. E acho que lá em casa a fórmula vem dando certo. Deu, no final, para fazer bem os dois.

Além disso, olha esse vídeo aqui. Lá no Capão, na Bahia, a turma do Instituto Chapada conseguiu levantar o IDEB da região – que já foi um dos piores do País – a se equiparar com São Paulo. E, dentre dos princípios do projeto: participação dos pais na vida escolar do filho.  Quando é a próxima reunião de Pais e Filhos da escola?

Boa semana a todos!

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Quando Gil vale mais que dois olhos azuis

É, gente, esse blog andou meio abandonado. Negligenciado mesmo. A pedidos, resolvi “tentar” voltar a atualizá-lo com frequência – alguma que seja. Antes de qualquer coisa, é preciso voltar a origem da comichão por escrever. Era 2007, a China desconhecida, Olimpíadas por vir. Minha segunda vida internacional. Sonho de infância de aprender uma língua oriental. Dubai no meio. Volta ao Brasil, mas os passeios continuaram pela longínqua Ásia e a logo ali Europa.

Eis que a vida caminhou e se desenvolveu por uma descoberta tupiniquim, que representou uma descoberta em mim mesma. A vida na Bahia e mudar a bússola do além-mar para o aqui dentro doeu, esvaziou e preencheu. Explico: admitir que desconhecemos tanto o País em que nascemos e vivemos é um exercício doloroso. Esvazia, porque é preciso reconhecer com humildade que de nada sabemos, que temos visões distorcidas e errôneas de muita coisa. E preenche porque passamos a nos conhecer. Ter o vizinho como parâmetro é muito mais fidedigno do que buscar exemplos de longe. Ou até mesmo “sob o olhar turístico”. Que assim seja. E foi. Que conhecer o Brasil me ajudasse a me conhecer, a entender minhas ações, revisitar algumas coisas e autoafirmar outras.

Setembro de 2012. O CEP virou Salvador, Bahia. A capital nordestina que se resumia a mim: férias com os pais no Club Med, axé que invadiu meu carnaval e um lugar que ficava a uma hora do Recife. Ponto. Arrogância idiota. E o objetivo: dois anos para ir a SP. Arrogância duas vezes idiota.

Farol BahiaElevador Lacerda

Posso falar da Bahia? Porque sorria. Ela é muito mais que o carnaval. Ela é bem resolvida. Se basta. Em si. Problema? Quem tem é você com ela. Ela está nem aí.

E se abrir para esse modus operandi é te jogar contra teu espelho e questionar onde você está. E assim, Gilberto Gil substituiu Chico Buarque no meu coração.

Em “Viramundo” – documentário em que o nosso ex-ministro da Cultura viaja pelo mundo em busca do sentido do que é “pertencimento”, tudo termina na Bahia. Começa com os índios da Amazônia tentando ser reconhecidos pelo idioma e tudo que são, os aborígines da Austrália, os negros que sentiram e ainda sentem no arpatheid da África do Sul. E depois de buscas e explicações, tudo termina na Bahia, numa indicação do que seria o caminho da paz e da aceitação. Como não <3?

olodum  Pelourinho

Na Bahia, bonito é ter cabelo. E cabelo é black, grande e enfeitado. Porque a gente mostra o que é mais lindo. Bumbum lindo é o da baiana. Quanto maior, melhor. Assim seja. Porque somos latinas, descendentes de africanos e é tudo gente grande. Roupa tem que ser colorida, tribal e sim, é preciso dizer: “sou 100% negão”. A missa é customizada: toca tambor, tem dança, batuque, porque não é pecado assumir a sua cultura e deixa-la contaminar tudo que é possível. Até porque a negritude é tão viva que no Curuzu – aquele mesmo da ladeira da música de Daniela Mercury – ainda se fala orubá, a língua nativa dos escravos que foram trazidos para lá. E tudo salvaguardado pelo Vovô do Ilê Ayê, ancião que guarda as tradições e ensina às gerações seguintes a história dos antepassados. #SónaBahia. Que vergonha, Brasil, não saber disso!

baianasIlê

O baiano é o povo mais slash/slash que conheço. Pura tendência. Ninguém é só uma coisa. Todo mundo é advogado, mas também surfa. É professora, mas também toca bateria numa banda. Ai, <3! Também permitem viver a fé que quer. Levam a sério. E como é lindo devotar energia e tempo para viver o etéreo. Isso não é para os fracos. Assim como ver a fila imensa para tomar axé das baianas na Festa de Iemanjá, observar a entrega das oferendas no mar e escutar a oração “Que as tristezas vão embora e a alegria volte com as ondas do mar”.

Lembrancinha no Dia de São Cosme e Damião. Caruru o dia inteiro e muito sincretismo

Lembrancinha no Dia de São Cosme e Damião. Caruru o dia inteiro e muito sincretismo

Povo toma conta do Rio Vermelho para entregar as oferendas no dia 2 de Fevereiro

Povo toma conta do Rio Vermelho para entregar as oferendas no dia 2 de Fevereiro

É, Bahia, isso mexe com milhares de demônios. De quem estica o cabelo. De quem faz lipoaspiração para diminuir o quadril. De quem não mergulha no mar porque tem medo. Se você faz tudo isso sem recalque, ok. Agora, se faz para ser “agradador”. Lamento, você só agrada a sua dor. Entendes por que és tão única? Foi lá que, depois de ser expulsa do coral da escola e de o professor de flauta desistir de mim, um “negão black power” conseguiu me ensinar a tocar alguns batuques. Lá no Candeal de Carlinhos Brown. Onde a música pacifica, cura e a violência se foi na hora que a assumiram como vocação natural e passaram a ganhar dinheiro com esse dom. Pertencimento. Aceitação. O <3!

aula de batuque

Foi lá que os meus demônios interiores se acalmaram, depois de uma verdadeira micareta interna. Eu que tinha um road map de ações na minha carreira, com a arrogância de quem achava que sabia onde estaria em x anos, ganhando x $, descobri que a gente não tem domínio de nada, não sabe de nada. A gente reproduz modelos do que é certo para os outros. Vestir-se assim, pesar assado, falar de tal maneira.

A Bahia cutucou todas essas minhas certezas e o mundo veio abaixo. Mas, me tornei maior, sei mais quem sou. Verdadeiramente sou. Não o que os outros esperam ou querem. Agora, eu sinto mais, projeto menos. Ainda sou um trabalho em construção, mas a Bahia montou meu alicerce. Axé, <3! Porque o tempo é rei, sábio. Mas, passar por alguns lugares faz toda a diferença.

altar com fitas

Altar na Igreja de Nosso Senhor do Bonfim. Toda proteção que o <3 merece

Especialmente, quando tem Copa no meio, jogo na Fonte Nova e Olodum tocando no final. Quantas aventuras, Bahia. Um mês de cerveja e abará como dieta básica, muitas risadas e sendo chamada de “gringa”. Com direito a abraçar o farol embaixo de chuva. #SónaBahia. Para sempre. Os amigos de lá para sempre. O Rio Vermelho para sempre. O bairro boêmio. Red River never stops. A qualquer hora do dia sentar no Largo do Acarajé da Dinha, tomar cerveja junto com playboy, rastafári, pai de santo, patricinha. Só na Bahia.

Bayana System - som experimental com batucada, discotecagem e tudo que há de mais trendy

Bayana System – som experimental com batucada, discotecagem e tudo que há de mais trendy

Ai, a Copa!

Ai, a Copa!

Quando tem Por-do-sol no Museu de Arte Moderna, ao som de Jazz. #SónaBahia

Pier do Museu de Arte Moderna. Aos sábados, sunset com palmas e muito jazz

Pier do Museu de Arte Moderna. Aos sábados, sunset com palmas e muito jazz

Quando tem show do Bayana System #DaBahiaparaomundo

A Fifa Fun Fest virou meu endereço durante a Copa #positivevibes

A Fifa Fun Fest virou meu endereço durante a Copa #positivevibes

Quando tem praia – sim, na Bahia tudo fecha cedo, porque o baiano é um povo solar. E até eu me rendi a tanto sal – Sim, Salvador tem alta concentração de maresia/salitre. Não estranhe, se ao sair do mar, a sua sobrancelha estará branquinha

Surf, tatuagem e reggae na Praia do Flamengo

Surf, tatuagem e reggae na Praia do Flamengo

No dia de ir embora, um e-mail disparado para todos os contatos do Norte ao Sul. Mensagem de agradecimento e informando que estava indo trabalhar nos Jogos Olímpicos. Mensagem do maior crítico cultural da Bahia e um dos melhores do País, criador do termo axé music: “Ana, Vou sentir saudade de você na Bahia, mas boas vibes sempre hão de acompanhar alguém tão massa como você – alguém não, você, única. Sucesso, e sim, não vamos perder contato”.

Em minutos mais tarde, o retorno de um jornalista do Recife: “Sucesso, Ana. Manda teu contato para apurar assuntos dos Jogos”.

É, eu já fui essa pessoa com pressa. Hoje, eu SOU mais. Sinto mais. Obrigada, Bahia. Com direito ao scrapbook feito pelos amigos mais carinhosos da América Latina, como toda pernambucana exagerada é ;)

Mensagem carinhosa no espelho do banheiro na volta das férias #SónaBahia

Mensagem carinhosa no espelho do banheiro na volta das férias #SónaBahia

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Como uma doce música brasileira no ouvido de quem sente saudade

Nestes momentos anteriores ao jogo das Quartas de final da Copa do Mundo do Brasil, bateu uma vontade de escrever e colocar para fora os sentimentos que vivem aqui dentro desde o começo de tudo.

Que tudo? Desde o primeiro protesto até a Copa do Mundo que se passa agora. Desde o primeiro post na minha timeline do Facebook seguido por uma onda de posicionamentos pró e contra. Desde esse movimento de auto percepção sobre nós mesmos, quem somos, para onde vamos, que vários tentam fazer.

Antes, um breve prólogo. Sim, estou vivendo a Copa. Sim, fui contra ela lá atrás. Acho que o $$$ todo deveria ter sido reservado para Educação, Saúde, Saneamento Básico, prioridades para uma vida democraticamente plena a todos. Mas, já que erramos o “timing” dos protestos e ela saiu do papel – e me incluo aí e considero o nosso primeiro aprendizado – torcer para que a Copa dê certo é um dever de patriotismo. Torcer e protagonizar para que os turistas saiam encantados conosco também e os investimentos representem uma ótima sacada de Relações Públicas, para que saiam cantando em verso e prosa as nossas riquezas.

Meus amigos, com o coração de quem nasceu nesta terra, ando emocionada com os depoimentos que ando escutando.

Do australiano que levou 3 pontos, depois que o teto da barraca da praia de Copacabana caiu-lhe sobre a cabeça. “Sim, Ana, dá para ver que o Brasil tem sérios problemas de infraestrutura, regulamentação e fiscalização. O que faz-nos deduzir que viver aqui é uma aventura. Mas, é impressionante a gentileza de vocês indivíduo-indivíduo. Fomos a Arena Pernambuco, estava um trânsito gigantesco, saltamos do ônibus desesperados para tentar chegar ao estádio caminhando pelo acostamento. Quando o trânsito fluiu, vários brasileiros ofereceram carona aos estrangeiros. Eu mesmo entrei no carro de uma família que estava com a bebezinha atrás.”

Do bengalês, a quem orientei a tomar o ônibus correto e dei meu telefone para futuras dúvidas: “É isso que eu gosto dos brasileiros. Todos que encontrei fazem um esforço gigantesco para que estejamos bem, felizes e seguros”.
Da minha ex-housemate americana: “Ana, um beijo no coração de todos os brasileiros. Foi emocionante encontrar não-estadounidenses (claro que ela falou americanos) torcendo por nós”, com a dor de quem é sempre hostilizado e recebeu um afago de quem tem o coração transbordante de amor para dar.

Nós somos self-made people. Gente que se vira para crescer, fazer acontecer, sem apoio do governo, sem estrutura institucional de segurança. Por isso que não gosto quando dizem que temos síndrome de vira-lata diante do ceticismo que as coisas deem certo. Primeiro, porque é uma honra ser vira-lata: essa raça miscigenada, sem barreiras, com alta resiliência para os problemas da vida e que ainda assim é feliz e querido por muita gente. Aliás, vira-lata tá na moda. A mais nova integrante da família Addobbati Cavalcanti é Nina, linda, miscigenada e amada.

E por sermos self-made people – gente que não desiste e corre atrás dos sonhos – temos um monte de conquistas individuais. Cientistas que arrasam em suas descobertas. Ministros do Supremo negros e com mérito para estar onde estão. Empresários porretas que empregam uma tuia de gente e conseguem crescer mesmo diante de tantos impostos. E um tantão de gente que ama essa terrinha aqui e não a abandona a despeito “da aventura” de viver aqui.

E o que falta? Já temos protestos, certo? Já estamos dando o recado que, apesar da alegria da Copa, não só vivemos de futebol, certo? Precisamos continuar pressionando e criticando a falta de legado da Copa em obras públicas prometidas que não saíram do papel. Precisamos continuar sendo corteses com quem atravessa na faixa de pedestre, dando a vez na fila para idosos, não admitindo taxista que explora e muda o taxímetro. Conosco mesmos, quando os turistas forem embora. Indo para as urnas investidos de muita opinião, reflexão e propostas. Com a mesma alegria que nos vestimos de verde e amarelo para os jogos.

Sobre a crise de “vira-lata”, vejam só. Sabe carinho de mãe, aquele carinho que se mistura com pânico de que algo dê errado? “Celso, olha essa menina com asma quer ir para Europa no inverno, lugar frio. Isso não vai dar certo, ela vai ter uma crise, o pediatra dela não atende lá”. Quem duvidou que ia dar certo, estava com esse sentimento. Que é amor. Amor tão grande que não quer que a sua terrinha se exponha, passe vergonha, perigo. Passou. Espero que tenha passado. Até porque esse amor precisa se converter em atos para não haver vergonha mais.

E quando a Eleição chegar, vou viver o mesmo clima de Copa. Lembrando quando mainha e painho vestiam as filhas com as cores do partido que eles estavam apoiando. Com a mesma alegria e intensidade de um jogo, mas sabendo da importância que é jogar para frente, lindo, sem retranca para o Brasil que vem pela frente.

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Sobre amor de infância, confetes e Mário Quintana

 

Sim, eu estava prometida a ELE desde os meus dois anos de idade. Passava o Natal, minha mãe já começava a costurar a roupa de gala a usar na cerimônia. Era só esperar Fevereiro para que eu O encontrasse. Por meros cinco dias. Desde a mais tenra idade, sabendo que iria enlouquecer ao encontrá-lo. Meu avô alimentava esse “amor prometido”. Montava um camarote em sua loja na Rua da Concórdia, reunia família e amigos. E, claro, lá estava eu com minha fantasia de lantejoulas, cuja temática mudava a cada ano.

E assim cresci. Convivendo com o meu amor prometido. Todos os anos. Intensamente. Eu era novinha, mal sabia o que era paixão, quiçá amor. Veio a adolescência. E a efervescência de brincar nas ladeiras do vizinho – sem a vigilância dos pais – fez com que a intensidade fosse maior. Dias a fio embaixo de um sol escaldante, fantasias cômicas e muita “resenha” para contar na volta às aulas.

Veio a independência financeira. E a vontade de liberdade e autoafirmação. Vontade de conhecer mais amores, testar os sabores diferentes. E assim, escanteei o meu amor prometido. Numa vontade de mostrar que sou eu que escolho. Primeiro foram o samba e as marchinhas. Depois, o axé, Filhos de Gandhi, Ilê Ayê. Esse último aqui, quase me fez largar de vez o antigo amor prometido e me firmar com outro.

Mas, a vida dá voltas e me faz reencontrar o amor de infância. Desta vez, mais madura, com as marcas de quem andou viajando por aí. E aí vieram as memórias, o sabor do conhecido que ajudou a construir sua história. E a paixão bateu. Com força. Daquele jeito que faz você ficar mais bonita para a amiga que te reencontra ao final dos tais 5 dias. Que deixa você ficar dias a fio lembrando do seu amor e rindo à toa, como se tivesse visto “passarinho verde”.

É carnaval do Recife… não acho que seja só paixão. Acho que é amor. Já dizia Mário Quintana: “O amor é isso. Não prende, não aperta, não sufoca. Porque quando vira nó, já deixou de ser laço”. E a liberdade que você me deu de conhecer o que havia lá fora, só me fez constatar: É amor, do mais puro o que tenho por ti. Igualzinho a Jessie e Celine de Antes do Amanhecer, Entardecer, da Meia Noite. Amor para a vida inteira. ;) E nem escuto que todo carnaval tem seu fim.

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PS: Essa foto aí eu pesquei aleatoriamente da Internet. Antes que me perguntem: não sou eu :p

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Porque Belém do Pará é puro luxo

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Por que Belém é luxo…

É luxo porque tem por do sol no mercado Ver-O-Peso todo dia. E todo dia tem peixe fresco, tem açaí carregado na cesta equilibrada na cabeça e qualquer um tem acesso a esse tesouro;

É luxo porque mesmo com tanta natureza disponível, é uma capital de quase 400 anos com oferta de todo o mundo moderno;

É luxo porque a gastronomia é ensandecidamente deliciosa e única. Com todos os temperos contemporâneos acrescidos do que se tem lá: cupuaçu, açaí, queijo cuia, tacacá. Com cachaça de jambu que treme até a garganta. Tesouro que só é de lá. Inveja branca!
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É luxo porque você pode ir a qualquer restaurante e tudo terá requinte. E assim é luxo:

– Comer da doceira Tia Maria, numa casinha do século XVIII e que dentro é toda inspirada no mundo fantástico de Alice no País das Maravilhas: lustre de xícaras, relógios que lembram que o tempo pode parar diante de uma boa torta de queijo cuia e cupuaçu. E quem precisa de chá para viajar quando se tem essas delícias? E tudo abençoado por Nossa Senhora do Círio de Nazaré que, como toda boa casa belenense, está lá na parede.
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Detalhes que fazem toda a diferença. Doceria Tia Maria: eu recomendo!

Detalhes que fazem toda a diferença. Doceria Tia Maria: eu recomendo!


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– Comer nas Docas e tomar a cerveja Amazonense e todos os seus pilsens e maltes misturados com cajá, priprioca, açaí. Desculpem-me os alemães, mas eles não têm ervas afrodisíacas por lá. Nós temos a fábrica aqui – da cerveja e da Mãe Natureza. E tudo com uma banda que toca em um palco “voador”, sobrevoando suas cabeças.
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cerveja priprioca

– Comer no Café Trindade – que fica numa pracinha revitalizada, que já fora o Baixo Meretrício. E assim, como é fazer memória com sofisticação, ele é ambientado com retratos dos bordéis do Belle Époque. E ainda falando francês, serve filhote com arroz no jambu.

– Comer no Parque Residence – um self service delicioso que simplesmente fica dentro do terreno do Palácio do Governador. E tem Orquidário. E tem estátua de Ruy Barata para você bater foto e dizer para ele: feliz do povo que se permite usufruir no seu dia a dia da própria história.

Uma pausa para um papo com Ruy Barata

Uma pausa para um papo com Ruy Barata

E Belém é luxo.

É luxo porque tem a maior manifestação católica do mundo. O Círio de Nazaré leva dois Galos da Madrugada para as ruas – isso mesmo, 2 milhões de pessoas em procissão de fé. E todo mundo vai, Na corda ou atrás. Não importa.
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É luxo porque tem a Catedral de Nossa Senhora que é mais bonita que a Saint Cro Creu de Paris, porque, sim, me permito ter o luxo de achar que as coisas do nosso País podem ser melhores que a do Além mar.

É luxo porque  foi onde se fundou a Assembleia de Deus no Brasil

É luxo porque tem o mercado Ver-o-Peso onde as erveiras passam diagnóstico, te dão banho de cheiro e não tem carrego que encoste.
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E é mais luxo ainda porque todos convivem em paz diante de tanta diversidade de correntes religiosas.

É luxo porque além de tudo que mencionei acima, tem muito mais que não tive tempo de ver: O Teatro da Paz, a Casa das Janelas, o carimbo, o Palafitas, o sorvete da Cairú.

É luxo porque você passa quase o mesmo tempo de ir para Portugal para chegar lá e, mesmo assim, volta com um sorrisão na boca. 

É luxo porque consegui ver tudo isso entre um compromisso e outro com a ajuda dos gentis, fofos e amados Mirella Andreotti, Monalisa Caetano, Nádia Alencar e Rodrigo Cabral, que seja mineira, pernambucana ou local, carregam o calor que o belenense tem de saber receber. Muito obrigada!

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janeiro 22, 2014 · 2:16 am

O mundo encantado (da cerveja) que é Munich

Munich, Monique, Munch, seja qual for a escrita, é uma terra encantada. Esse post já devia desde a minha viagem mochileira. Vieram a Bahia, mudança e essa história ficou por contar. E não que não valesse a pena.

Começo pelo final. No dia de ir embora, fui a uma lojinha comprar souvenirs. Quem me atende?  Uma velhinha, cabelo branquinho, com roupa de tirolesa e um cuco de desenho animado a cantar na parede. Sim, os Cu-cos existem! E essa é Munich. Uma cidade saída dos contos dos irmãos Grimm. Não à toa eram alemães.

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A cidade é a típica paisagem europeia. Bondinhos, flores, igrejas antigas, relógio na praça tocando  às seis horas. E com gosto de cerveja. Sim, a maior cervejaria do mundo está aqui.  Salões e mais salões com pints gigantescas de cerveja. Deliciosa. E está vindo o carnaval aí. E pensar que terei de me contentar com Skol quente. Mas, cada coisa a seu momento, correto?

 

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Sem falar dos Biergarten – Jardins de Cerveja. Grama verde, você pode levar sua própria comida e – mais cerveja! De todos os maltes e tipos. Programa família. Para todas as idades.

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E para não ficar só nisso. Um ótimo passeio é ir ao museu da BMW e conhecer a fascinação dos alemães por detalhes, design e nada que se assemelhe  a quadradismo de versos. Em seguida, a pé, chega-se ao Parque Olímpico. Um ótimo passeio.

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E aí, eis que por uma coincidência, chego à cidade em meio ao Festival da Primavera. Uma mini Oktorbefest. Só isso. Um parque de diversão no meio da cidade. Shows e mais shows de rock, mas um clima meio carnaval, sabe? A turma fantasiada com roupinhas típicas – tirolesas e calças de couro. E o mais legal – aqui pernambucano sabe o que é – chegar para lanchar de madrugada em alguma lanchonete e encontrar a galera de fantasia, rindo à toa, como se o dia não tivesse fim (Sounds familiar?).

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E como estava na Primavera, as flores vieram dizer Oi e mostrar que a vida continua. E assim foi a minha Munich. Linda, florida, animada e fantasiada. Como nos contos de fada. 

Once upon a time… que se repita! Mesmo que todo Carnaval tenha seu fim…

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A Pérola da Chapada Diamantina

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Iraquara tem mais belezas do que a Gruta Azul. Ideb melhorando e histórias de transformação 

 

“Como é bom comemorar as conquistas da vida, sabendo que o meu semelhante também pode ser feliz!”. Essa frase simples, mas espontânea (o que a torna ainda mais especial) escutei na última semana, durante um curso do Instituto Walmart (http://www.iwm.org.br/home/), sobre como criar projetos de sentidos. Nele, representantes de entidades – entre creches, ONGs, projetos sociais – que já se beneficiam do programa de aproveitamento de alimentos ou que buscavam se estruturar para esse ou outros fins.

O autor da frase é um diretor de creche, que versava sobre como as classes ascenderam, passaram a consumir e, quando pareciam embebecidas com esse poder lhes concedido pelo crédito, eis que se vê o povo indo às ruas – não pelo direito de ter mais financiamento para comprar um novo carro-  mas, numa causa mais imediata, pelo acesso universal a um transporte público de qualidade.

Ganhei meu dia com essa frase. Poucas pessoas conseguiram traduzir de forma tão bela e natural o momento em que o País passa. Lindo! Bravo!

E isso me lembrou Lucilene, a pérola negra da Chapada Diamantina. Em fevereiro deste ano, segui para a cidade de Iraquara, Interior da Bahia. Terra que há alguns anos sofria com um dos piores Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) do Brasil e, hoje, está bem pertinho de se igualar a São Paulo, o melhor do Brasil. Lá e nas cidades ao redor, temos o trabalho do Instituto Chapada (ICEP – http://www.institutochapada.org.br/), que, dentre outras premissas, trabalha com o compartilhamento de conhecimento entre professores, participação dos pais nas escolas e incentivo à leitura.

O trabalho é patrocinado pelo Instituto Natura, com a verba conquistada com o engajamento das consultoras que se incubem de vender a linha Crer para Ver, cujo lucro líquido é todo revertido para o financiamento de projetos de melhoria do ensino nas Escolas Públicas (Veja o impacto na vida dos beneficiados http://www.youtube.com/watch?v=nl2RgUJPnyE).

Voltando à Lucilene. Eis que chego a Iraquara para gravar um vídeo que mostrava a evolução na vida dos estudantes após o início das atividades do Instituto Chapada. A pauta era reunir pais e seus filhos para mostrar como a Educação vem mudando o presente e criando novas perspectivas. Uma das coordenadoras da escola soprou ao meu ouvido: “Vocês precisam conhecer Lucilene. Ela é a nossa pérola da Chapada”. Vamos busca-la.

Lucilene é gari. Casada com um jardineiro encarregado de podar as árvores da cidade. O casal tem três filhos. Todos alfabetizados. Brilhantes. O mais velho (que aparece no final do vídeo acima postado) ganhou a Olimpíada de Matemática da Cidade. Ganhou bolsa de estudos. Não estamos falando de um talento inesperado.  Mas, de uma família unida, que valoriza o que é essencial, que consegue enxergar e trabalhar por um futuro por caminhos certos, esquecendo a facilidade do que é torto e mais provável para quem vive sob dificuldades – tráfico, prostituição, exploração de trabalho infantil.

Nossa pérola negra se emociona quando fala do orgulho que tem dos filhos. “Eu acordava de madrugada, mas fazia questão de deixar a comidinha pronta para que eles seguissem felizes para a escola”. Dedicação materna. Infelizmente, tornando-se incomum mesmo em meio a famílias abastadas. “Muitas vezes, pedia na prefeitura permissão para que eles usassem os computadores e fizessem o trabalho da escola. Sabe como é, escola em primeiro lugar.” Muito bem, Lucilene, saiba que muitos pais que tem Internet wifi em casa não conseguem dar esse peso à educação aos filhos. Um carro, a roupa de marca, a viagem para Disney são bem mais importantes.

E Lucilene também se transformou. Ela, analfabeta, que não perdia uma reunião de Pais e Mestres da escola dos filhos (Olhe que já vi escola de classe média mandar circular lembrando que motorista e babá não substituem pais em situações como essa), começou a se cobrar estar apta a ajudar os filhos com a tarefa de casa. Entrou no Supletivo.

Lágrimas. “Filha, saía do trabalho correndo para deixar o jantar pronto para os meninos. Amém, meu marido me ajudava. Muitas vezes, a professora estava na porta me esperando para começar a aula. Ela não queria que eu desistisse. E eu agradeço todos os dias a ela. Hoje, sou alfabetizada e me engajo a levar as outras garis para o curso. É  libertador ler. Ajudar um filho”.

Minha pérola negra. Deste-me uma lição de esperança. O tesouro de Iraquara quer mais pérolas. E que o céu se abra e façam rojar mais preciosidades como ti por todo País. Afinal, quem tem Educação escolhe. Não é escolhido pela sorte e destino.

 

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